Pokémon Go

Venezuelanos inventam disfarce para jogar Pokémon Go sem serem assaltados

Daniel Kai

Em Caracas

  • Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Entre as páginas de um romance do francês Honoré de Balzac, o venezuelano Carlos Reina esconde seu telefone celular para jogar Pokémon Go, evitando expor o seu celular e para não ter o risco de ser apenas mais um número nas altas estatísticas de roubos no país.

Os smartphones tornaram-se cada vez mais atraentes para os ladrões na Venezuela, um dos países com a maior taxa de homicídios do mundo.

"Uso o livro para esconder o telefone. Tenho medo da falta de segurança, mas quero ser um treinador Pokémon" diz Reina, estudante de 22 anos que jogava em uma praça de Caracas. Ele mesmo cortou as folhas e fez o buraco nas páginas da obra de Balzac Eugenia Grandet do tamanho exato do seu celular.

Por causa do risco de roubo de celulares de pessoas distraídas com o jogo em realidade aumentada, polícias de países do mundo todo emitiram alertas e até deram dicas de segurança para os fãs de Pokémon Go.

Mas na Venezuela a realidade é mais perigosa: segundo estatísticas da associação civil Alto al Crimen, cerca de 500 pessoas foram mortas nos últimos seis meses no país depois de terem reagido após o roubo do celular.

Outro jogador na Venezuela, Luis Vargas, lançou a campanha "capture-os com segurança", pedindo que os fãs joguem apenas em áreas altamente seguras.

"Seu telefone celular e sua vida valem mais do que um Pokémon", advertiu o empresário de 30 anos que preside um fã clube de Pokémon Go no centro da cidade de Valência. "Ainda existe o mundo real e temos que ter cuidado, ainda mais no nosso país", acrescentou.

Carlos Garcia Rawlins/Reuters

O aplicativo Pokémon Go, baseado no popular jogo e desenho para TV, usa realidade aumentada para fazer com que os jogadores procurem os personagens nas ruas, escritórios e parques das cidades.

Um meme popular no Twitter mostra um celular com a imagem de um homem apontando uma pistola e uma legenda que diz: "Este será o primeiro Pokémon que você encontrar na Venezuela. Você não terá que andar muito."

A taxa de homicídios na Venezuela subiu para 90 por 100.000 habitantes em 2015, colocando o país entre os mais violentos da América, segundo dados do Observatório Venezuelano ONG da Violência (OVV).

O presidente socialista Nicolás Maduro mencionou o jogo como parte de críticas mais amplas à sociedade de consumo. "Há um novo jogo por ai, o Pokémon Go, você sabe que? Milhares de jovens vivendo a realidade virtual, quando se trata de matar e matar", disse Maduro na televisão estatal.

"O que pode um ser humano aspirar quando está envolto em uma cultura da morte criada pelo capitalismo?"

O parlamentar de oposição Freddy Guevara postou uma foto de si mesmo jogando o jogo, enquanto aguarda uma sessão do Congresso. Mais tarde, ele se desculpou.

"A insegurança é um problema importante. Além disso, os salários das pessoas não são suficientes. A inflação é pior a cada dia. Pokémon Go é uma boa válvula de escape agora", disse Guevara à Reuters.

Pokémon Go invade ruas e parques de São Paulo

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