Polêmica do burkini desencadeia batalha de culturas na França

Por Richard Lough

PARIS (Reuters) - O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, defendeu nesta quinta-feira a proibição aos burkinis em mais de uma dezena de cidades costeiras nesta quinta-feira, dizendo que o país vive uma "batalha de culturas" e que o traje de banho de corpo inteiro simboliza a escravização das mulheres.

Fotos de policiais armados obrigando uma muçulmana em uma praia da cidade mediterrânea de Nice a se despir parcialmente viralizaram nas redes sociais nesta semana, provocando indignação em muitos muçulmanos franceses e causando consternação em todo o mundo.

Como sinal das divisões que estão surgindo no governo socialista antes da eleição presidencial de 2017, Najat Vallaud-Belkacem, ministra francesa da Educação nascida no Marrocos, alertou que o debate está incitando uma retórica racista e sendo usado para objetivos políticos.

"Temos que nos envolver em uma batalha determinada contra o islã radical, contra esses símbolos religiosos que estão se infiltrando nos espaços públicos", disse Valls em uma entrevista à BFM-TV.

Reiterando sua postura em relação ao assunto, ele afirmou: "Para mim, o burkini é um símbolo da escravização das mulheres".

O Conselho de Estado da França, a mais alta instância jurídica administrativa do país, deve ouvir nesta quinta-feira um pedido de um grupo de direitos humanos para que a proibição ao burkini seja revertida na cidade mediterrânea de Villeneuve-Loubet.

O debate sobre o banimento do burkini resume as dificuldades que a França enfrenta no momento em que luta para reagir a jihadistas franceses e militantes estrangeiros na esteira de ataques islâmicos recentes do país. Em virtude disso, a segurança e a imigração se tornaram temas centrais na campanha presidencial.

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que entrou oficialmente na corrida pela Presidência na segunda-feira, disse à revista Figaro que a França se tornou tímida demais sob o comando de seu atual mandatário, François Hollande.

"O burkini é um ato político, um ato militante, uma provocação. As mulheres que o usam estão testando a República", afirmou Sarkozy à publicação em comentários que serão publicados na sexta-feira.

Em uma demonstração de como a polêmica do burkini vem repercutindo no exterior, a escritora britânica J. K. Rowling, autora dos livros da saga Harry Potter, tuitou: "Então Sarkozy chama o burkini de 'provocação'. Quer as mulheres cubram ou descubram seus corpos, parece que estamos sempre 'pedindo por isso'".

(Reportagem adicional de Francois Rosnoblet, em Cassis, e John Irish e Michel Rose, em Paris)

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