Turquia aprofunda incursão na Síria e atrai censura dos EUA por mudar foco da luta

Por Lisa Barrington e Umit Bektas

BEIRUTE/KARKAMIS, Turquia (Reuters) - Forças apoiadas pela Turquia aprofundaram sua incursão no norte da Síria nesta segunda-feira, atraindo críticas dos Estados Unidos, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que disseram temer que a disputa por territórios tenha desviado o foco dos ataques ao Estado Islâmico.

No início da ofensiva turca pela fronteira, que já dura quase uma semana, tanques, artilharia e aviões de guerra da Turquia proporcionaram aos rebeldes sírios aliados o poder de fogo necessário para tomar rapidamente a cidade síria fronteiriça de Jarablus de militantes do Estado Islâmico.

Desde então, as unidades turcas vêm avançando sobretudo em áreas controladas por forças alinhadas às Forças Democráticas da Síria, uma coalizão que inclui a milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG), que vem contando com o apoio de Washington na luta contra os jihadistas.

Um grupo que monitora a complexa guerra de mais de cinco anos na Síria disse que 41 pessoas morreram em ataques aéreos turcos enquanto as forças de Ancara seguiam para o sul no domingo. A Turquia negou as mortes de civis, dizendo que 25 militantes curdos foram mortos.

"Queremos deixar claro que consideramos estes confrontos – em áreas onde o Estado Islâmico não se encontra – inaceitáveis e uma fonte de profunda preocupação", disse Brett McGurk, enviado especial dos EUA para o combate ao Estado Islâmico.

"Pedimos que todos os participantes armados se contenham", escreveu ele em sua conta oficial no Twitter, citando um comunicado do Departamento de Defesa norte-americano.

A Turquia, que combate uma insurgência curda em seu próprio território, afirmou que a campanha tem o objetivo duplo de "limpar" a região da presença do Estado Islâmico e impedir que forças curdas ocupem o vácuo e ampliem a área que controlam perto da fronteira turca.

Isso coloca Ancara em choque com Washington e aumenta as tensões no momento em que o governo turco ainda reage à tentativa fracassada de golpe de Estado do mês passado, que, segundo sua visão, Washington demorou demais a condenar. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, tentou aparar as arestas durante uma visita na semana passada que coincidiu com a entrada das forças turcas na Síria.

Nesta segunda-feira, forças apoiadas pela Turquia consumaram um avanço sobre Manbij, cidade situada cerca de 30 quilômetros ao sul da divisa turca e capturada neste mês pelas Forças Democráticas da Síria, na qual combatentes curdos tiveram um papel essencial, com auxílio dos EUA.

(Reportagem adicional de Tom Perry em Beirute, Orhan Coskun e Ece Toksabay em Ancara e Can Sezer, David Dolan e Nick Tattersall em Istambul)

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