Socialistas prometem votar contra governo e Espanha caminha para 3ª eleição em um ano

Por Jesús Aguado

MADRI (Reuters) - O Partido Socialista da Espanha (PSOE) irá votar contra o governo do primeiro-ministro espanhol interino, Mariano Rajoy, em uma moção de confiança nesta quarta-feira, disse o líder da legenda, Pedro Sánchez, ao Parlamento, o que pode desencadear a contagem regressiva para uma terceira eleição em um ano.

A Espanha está sem um governo funcional após duas eleições inconclusivas, em dezembro e junho, e os partidos estão sendo pressionados a pôr fim a um impasse político que freou os investimentos e ofuscou a recuperação econômica.

Mas nesta quarta-feira, Sánchez, cujo PSOE ficou atrás do Partido Popular (PP) de Rajoy nas duas votações, se recusou terminantemente a apoiar o premiê, que precisa do apoio de sua legenda para formar uma coalizão.

"Serei muito claro, o Partido Socialista irá votar contra sua candidatura ao governo em nome da coerência e do bem da Espanha", disse Sánchez.

O PP precisa de mais seis cadeiras para conseguir a maioria absoluta de 176 assentos que necessita, mesmo com o apoio do partido liberal Ciudadanos, que foi acertado no domingo, e um assento adicional de um partido menor das Ilhas Canárias.

Se Rajoy perder a votação desta quarta-feira, uma segunda consulta irá acontecer na sexta-feira, da qual os delegados podem se abster. Ele precisa de uma maioria simples para poder formar um gabinete.

O PP só necessitaria de 11 abstenções para vencer essa segunda rodada, mas uma derrota também é provável se o PSOE não ceder. Tal fiasco para o PP na segunda votação inauguraria uma janela de dois meses para a formação de um governo, ao final da qual outra eleição seria convocada, possivelmente no dia de Natal.

"É difícil pensar em algo que poderia causar mais estrago para a democracia espanhola do que dizer às pessoas que seu voto foi inútil em duas ocasiões e que elas têm que repetir as eleições uma terceira vez", afirmou

Rajoy ao parlamento na terça-feira.

Ele disse que quer formar um governo de apoio amplo que seria capaz de salvaguardar a recuperação econômica da Espanha, cujas taxas de crescimento estão entre as maiores da zona do euro atualmente, e de desempenhar um papel de destaque na União Europeia.

Uma derrota nas duas votações desta semana mudaria o foco para as eleições regionais do dia 25 de setembro no País Basco e na Galícia, onde os socialistas esperam evitar uma erosão ainda maior em seu apoio.

(Reportagem adicional de Angus Berwick)

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