Líder palestino Abbas foi espião da KGB nos anos 1980, dizem pesquisadores de Israel

Por Jeffrey Heller

JERUSALÉM (Reuters) - Documentos da era soviética mostram que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, trabalhou nos anos 1980 para a KGB, a antiga agência de inteligência onde o presidente russo, Vladimir Putin, serviu no passado, disseram pesquisadores israelenses nesta quinta-feira.

O governo palestino negou que Abbas, que concluiu o seu doutorado em Moscou em 1982, tenha sido um espião soviético e acusou Israel de “fazer uma campanha de difamação” com o objetivo de impedir os esforços para a retomada das negociações de paz que ruíram em 2014.

As alegações, feitas pela primeira vez num canal de TV israelense na quarta-feira, surgiram no momento que a Rússia avança com uma oferta feita por Putin no mês passada para sediar em Moscou uma reunião entre Abbas e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Os dois líderes concordaram em princípio com um encontro, disse o Ministério do Exterior russo nesta quinta, mas não deu uma data.

Gideon Remez, um pesquisador do Instituto Truman da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que a conexão entre Abbas e a KGB apareceu em documentos retirados da Rússia pelo ex-arquivista da KGB Vasili Mitrokhin em 1991.

Parte do material, agora nos Arquivos Churchill da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, foi disponibilizado dois anos atrás para consulta pública, e o Instituto Truman requisitou uma pasta marcada “Oriente Médio”, disse Remez à Reuters.

"Há um conjunto de sumários ou trechos lá que vem todo sob o nome de pessoas atraídas pela KGB no ano de 1983”, declarou ele.

"Agora um desses itens tem duas linhas. Começa com o codinome da pessoa, ‘Krotov’, que é derivado da palavra russa para ‘espião’, e então vem ‘Abbas, Mahmoud, nascido em 1935 na Palestina, membro do comitê central do Fatah e da OLP, agente da KGB em Damasco’”, afirmou Remez.

Abbas é integrante fundador do Fatah, grupo dominante da Organização para a Libertação Palestina (OLP), o principal movimento nacionalista palestino. Ele se tornou presidente palestino em 2005.

Os documentos citados por Remez não dão qualquer indicação de qual papel Abbas poderia ter desempenhado para a KGB ou a duração de seu suposto serviço como agente.

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