Líder reprime vilarejo da China que pleiteia democracia em busca de projeção nacional

WUKAN, China/PEQUIM (Reuters) - A repressão levada a cabo neste mês contra os protestos no vilarejo chinês de Wukan foi ordenada pelo líder provincial, que está ansioso para mostrar seu valor antes de um congresso essencial do Partido Comunista no ano que vem durante o qual poderia chegar ao escalão mais alto do poder na China, dizem fontes próximas da liderança.

Diretor do partido em Guangdong, Hu Chunhua, que aos 53 anos de idade é um dos dois membros mais jovens dos 25 do Politburo do partido, é candidato a uma das sete vagas do Comitê Permanente do Politburo, o auge do poder político chinês, de acordo com analistas e várias fontes ligadas à liderança central.

A pacificação de Wukan, onde os moradores fizeram manifestações durante mais de 80 dias para protestar contra a prisão do chefe democraticamente eleito Lin Zuluan, é crucial para as chances de Hu, disseram as fontes.

"É um teste da capacidade de Hu Chunhua", disse uma delas, que tem ligações com a liderança central, à Reuters.

A fonte acrescentou que a maneira como a liderança enxergar o tratamento de Hu à situação de Wukan será um fator importante para determinar se ele consegue chegar ao Comitê Permanente.

Não foi possível contatar Hu para obter comentários, e não houve resposta aos pedidos de comentário ao Conselho Estatal da China, ou gabinete, nem do Escritório de Segurança Pública de Guangdong ou do governo de Lufeng, que tem jurisdição direta sobre Wukan.

O vilarejo de pescadores chamou a atenção em 2011, quando se insurgiu contra apropriações de terra por parte de autoridades locais e obteve concessões, como uma votação livre para eleger Lin e outros líderes, do antecessor de Hu no comando de Guangdong, Wang Yang, hoje vice-premiê em Pequim.

Desta vez os manifestantes foram repelidos com balas de borracha e gás lacrimogêneo usados por centenas de policiais de um batalhão de choque, que fez dezenas de prisões e impediu a chegada de jornalistas de Hong Kong e do exterior à área.

Uma fonte próxima de autoridades de alto escalão de Guangdong disse que Hu optou por uma ação mais dura em Wukan para minimizar o risco às suas perspectivas e qualquer percepção de fraqueza resultante de uma reprise do levante de 2011.

      (Reportagem de Benjamin Kang Lim e James Pomfret)

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