Partido islamita do Marrocos mira eleições e minimiza divergências com a monarquia

Por Aziz El Yaakoubi

RABAT (Reuters) - O partido islamita que está no poder em Marrocos deu início à campanha eleitoral para o Parlamento do reino neste domingo e minimizou as tensões existentes com a monarquia. 

As eleições do dia 7 de outubro serão a segunda no país desde que os protestos de 2011, inspirados pela Primavera Árabe, forçaram o Rei Mohammed a introduzir uma nova constituição para agradar os manifestantes e dar ao parlamento eleito mais poder.

Enquanto os governantes em Líbia, Tunísia e Egito foram afastados após os protestos de 2011, o Rei Mohammed sufocou os protestos ao tirar de si um pouco de seu poder absoluto e investir fortemente em segurança, embora o palácio do reino ainda detenha mais autoridade que os políticos eleitos.

O partido islamita Justiça e Desenvolvimento (PJD) quer fortalecer sua posição, embora não procure desafiar abertamente o establishment real que é desconfiado e fica pouco à vontade para dividir poder com os islamitas.

"Existem sinais de vitória", disse o primeiro-ministro e líder do PJD Abdelilah Benkirane a milhares de pessoas que lotaram um estádio esportivo em Rabat, onde apoiadores do partido bradavam contra a corrupção, uma das principais bandeiras do PJD.

"Nas eleições de 2011 o PJD disse não, não vamos por em risco nossa monarquia... agora toda aquela instabilidade desapareceu graças a várias reformas."

O pleito irá eleger deputados para a Câmara do país, que tem 395 assentos. O primeiro-ministro será selecionado pelo rei, a partir do partido que ganhar o maior número de cadeiras, com o PJD figurando como favorito para se manter no poder. 

Quem quer que ganhe, no entanto, terá de encarar semanas de complicadas negociações para formar uma coalizão com partidos parceiros, já que a lei eleitoral não permite que um só partido assuma o controle do país. 

O principal adversário do PJD, o partido pela Autenticidade e Modernidade (PAM), promete combater os islamitas e cancelar o que chamam de reformas impopulares conduzidas pela coalizão do PJD, especialmente no que se refere à reforma da aposentadoria.

Em uma tentativa de acalmar as recentes tensões entre o PJD e alguns membros do reino, Benkirane disse que o relacionamento de seu partido com a monarquia ao longos últimos cinco anos tem sido mais na base de cooperação em vez de confronto.

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