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Greve afeta postos de combustíveis em MG; ANP não vê desabastecimento

Filas em posto de combustível de Belo Horizonte (MG), em razão da paralisação dos transportadores de combustível de Minas Gerais - RAMON BITENCOURT/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO
Filas em posto de combustível de Belo Horizonte (MG), em razão da paralisação dos transportadores de combustível de Minas Gerais Imagem: RAMON BITENCOURT/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

Luciano Costa, Roberto Samora e Alberto Alerigi

26/02/2021 16h18

(Reuters) - Uma paralisação de caminhoneiros em Minas Gerais tem afetado postos de combustíveis na região metropolitana de Belo Horizonte nesta sexta-feira e operações locais de empresas como a BR Distribuidora, embora a reguladora ANP tenha afirmado que não vê riscos de desabastecimento por ora.

Mas a greve, convocada por profissionais de transporte de combustíveis para a partir da meia-noite de quinta-feira, não chegou a impactar diretamente a Petrobras, que disse que sua refinaria em Betim (MG) "está operando normalmente e atendendo à demanda das distribuidoras".

Mais cedo, o governo mineiro afirmou em nota que acompanha o movimento e que viaturas da Polícia Militar patrulham o entorno da refinaria da Petrobras "de forma a garantir que os motoristas que transportam combustíveis e que não aderiram à paralisação mantenham suas atividades".

Questionada pela Reuters, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) disse que "está monitorando os acontecimentos" em Minas Gerais e que "não há indícios de desabastecimento, no momento".

A manifestação dos caminhoneiros da região pede uma redução pelo governo estadual do ICMS sobre combustíveis e acontece em momento em que o presidente Jair Bolsonaro também tem reclamado sobre os valores do diesel e da gasolina para os consumidores.

A Petrobras disse em nota que sua refinaria de Betim tem "estoques devidamente abastecidos" e produtos "totalmente disponíveis para entrega às companhias distribuidoras".

Mas a BR Distribuidora, empresa de combustíveis na qual a estatal tem participação, disse que precisou recorrer à polícia para garantir a continuidade de suas operações e o atendimento a clientes.

A empresa também "reforçou os estoques e sua logística de distribuição" assim que surgiram notícias sobre possível greve.

"A base da BR operou em regime estendido, antecipando entregas de maneira a deixar todos os clientes abastecidos", afirmou a empresa em nota à Reuters.

A BR também disse que precisou acionar autoridades de segurança para garantir o cumprimento de uma decisão judicial que determinou desbloqueio pelos caminhoneiros do acesso à sua base de Betim.

"A unidade ainda opera de forma restrita e conta com o apoio de escolta policial para atender aos clientes de utilidade pública", explicou.

POSTOS SENTEM

Efeitos da paralisação dos caminhões de transporte já eram percebidos nos postos da região metropolitana de Belo Horizonte na tarde desta sexta-feira, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Minas Gerais (Minaspetro), que representa cerca de 4,5 mil postos de venda.

"Vários postos já sentem os efeitos da greve, com dificuldades para fazer pedidos junto às distribuidoras de combustíveis e abastecer os caminhões próprios nas bases, em virtude do bloqueio da entrada e saída de veículos pelos grevistas."

A entidade destacou que não tem como fazer previsões sobre a oferta dos produtos, uma vez que não faz pesquisas sobre estoques, mas alertou que a situação poderia piorar.

"Caso a greve permaneça nas próximas horas, certamente haverá falta de produtos em grande parte dos postos de combustíveis do Estado", acrescentou o sindicato.

O Minaspetro disse ter recebido informações de que haveria "mais de 300 caminhões" parados na região.

A greve mineira ocorre após ameaças de uma paralisação nacional de caminhoneiros neste mês que acabou não ganhando apoio, mas também iria protestar contra os preços dos combustíveis, notadamente do diesel.

Embora a greve nacional não tenha deslanchado, a pressão da categoria ajudou em decisão do presidente Jair Bolsonaro de anunciar na semana passada a indicação de um novo CEO para a Petrobras. Ele apontou o general da reserva Joaquim Silva e Luna para comandar a estatal no lugar de Roberto Castello Branco, em meio a embate com o executivo sobre os preços dos combustíveis.

O anúncio sobre a troca veio após Bolsonaro reclamar na semana passada de uma fala de Castello Branco, que disse que reivindicações dos caminhoneiros não teriam a ver com a empresa. Logo depois, Bolsonaro formalizou a indicação de Luna, que ainda precisará passar por aprovação do conselho da Petrobras.

Além da mudança na petroleira estatal, Bolsonaro vem sinalizando com outros agrados aos caminhoneiros para evitar uma possível paralisação- eles já foram beneficiados com prioridade na campanha de vacinação contra o coronavírus, por exemplo.

(Por Luciano Costa e Roberto Samora; Reportagem adicional de Alberto Alerigi)

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