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Doses de vacinas rejeitadas irão a países mais pobres, dizem autoridades de saúde

Autoridades da Austrália e da Grécia são as mais recentes a recomendar alternativas à vacina contra Covid-19 da AstraZeneca  - KAMIL KRZACZYNSKI / AFP
Autoridades da Austrália e da Grécia são as mais recentes a recomendar alternativas à vacina contra Covid-19 da AstraZeneca Imagem: KAMIL KRZACZYNSKI / AFP

Stephanie Nebehay e Douglas Busvine

09/04/2021 18h22

(Reuters) - Doses de vacinas rejeitadas por países que estão refinando suas campanhas de inoculação irão a países mais pobres quando possível para combater um "desequilíbrio chocante" na distribuição, disseram autoridades de saúde internacionais nesta sexta-feira.

Autoridades da Austrália e da Grécia são as mais recentes a recomendar alternativas à vacina contra Covid-19 da AstraZeneca para pessoas mais jovens devido ao temor de possíveis coágulos sanguíneos muito raros, enquanto Hong Kong adiou as remessas.

A cidade disse ter alternativas suficientes e não querer desperdiçar tais doses enquanto os suprimentos globais estão escassos.

Na prática, a decisão australiana acabou com os planos de vacinar a população até o final de outubro, o que ressalta o equilíbrio delicado que o problema criou para a saúde pública.

Dar vacinas alternativas a pessoas mais jovens adiará as campanhas de inoculação em cerca de um mês na Austrália, França e Reino Unido, previu a empresa de informações e análises científicas Airfinity depois de apurar os números destes países.

Milhões de doses da vacina da AstraZeneca foram administradas sem problemas de segurança em todo o mundo, mas alguns governos estão limitando seu uso a faixas etárias mais avançadas por precaução enquanto os casos de coagulação são investigados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a maioria dos países não tem nada nem parecido com doses suficientes de nenhuma vacina para cobrir os profissionais de saúde e outros sob risco alto de exposição ao vírus, que já matou quase três milhões de pessoas em todo o mundo.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que os países de alta renda vacinaram em média uma de quatro pessoas, enquanto os países de baixa renda vacinaram uma em mais de 500.

"Ainda há um desequilíbrio chocante na distribuição de vacinas", disse ele em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira.

O mecanismo Covax da OMS e da aliança de vacinas Gavi almeja fazer com que vacinas cheguem a países mais pobres. Indagado se o Covax está negociando doses da vacina da AstraZeneca que foram rejeitadas, o chefe da Gavi, Seth Berkley, disse que a cadeia de suprimento da empresa anglo-sueca "se acelerou".

A AstraZeneca disse estar trabalhando com agências reguladoras "para entender os casos individuais, a epidemiologia e os mecanismos possíveis que poderiam explicar estes acontecimentos extremamente raros".

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