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Bolsonaro não deve ir à Cúpula das Américas, dizem fontes

Jair Bolsonaro - Por Lisandra Paraguassu
Jair Bolsonaro Imagem: Por Lisandra Paraguassu

10/05/2022 15h04

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) -O presidente Jair Bolsonaro não deve comparecer à Cúpula das Américas, marcada para os dias 6 a 10 de junho, em Los Angeles, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

A decisão de Bolsonaro ainda não é definitiva, e o presidente até agora não deu razões para sua intenção de não comparecer ao evento, segundo as fontes.

Consultado nesta terça-feira, o Itamaraty disse que "a presença do presidente está sob avaliação e não confirmada."

De acordo com uma fonte, conversas iniciais chegaram a ser feitas entre as diplomacias de Brasil e Estados Unidos sobre a possibilidade de um encontro oficial entre Bolsonaro e o presidente norte-americano, Joe Biden, mas não teriam avançado.

Recentemente, Bolsonaro mostrou irritação com as revelações, feitas pela Reuters, de que o diretor da CIA, William Burns, em visita ao Brasil, teria dito ao governo brasileiro que o presidente deveria parar de levantar dúvidas sobre o sistema de votação no país.

O governo brasileiro negou as conversas, que foram confirmadas à Reuters por fontes que acompanharam o encontro de Burns com autoridades brasileiras.

Desde a derrota de Donald Trump para Joe Biden na eleição presidencial norte-americana, houve um afastamento entre Bolsonaro e o governo dos EUA. O brasileiro foi um dos últimos chefes de Estado a cumprimentar o democrata Biden pela eleição, e até hoje não houve contatos oficiais entre os dois presidentes.

POSIÇÃO MEXICANA

Nesta terça-feira, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, disse que não participará da Cúpula das Américas se todos os países da região não forem convidados.

A ausência dos líderes das duas maiores economias da América Latina seria um revés para o encontro de chefes de Estado da região que deve abordar questões que vão da imigração ao meio ambiente, mas também mostrar democracia no hemisfério.

O líder do México, de esquerda, disse que quer que todos os países da região sejam convidados. Não está claro se os Estados Unidos convidarão Cuba, Nicarágua e Venezuela, que são governados por administrações socialistas autoritárias que estão em desacordo com Washington.

"Se eles forem excluídos, se nem todos forem convidados, um representante do governo mexicano iria, mas eu não", disse López Obrador durante sua coletiva de imprensa regular nesta terça-feira.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, disse a repórteres que a Casa Branca, como anfitriã da cúpula, determinará quem será convidado, e os convites oficiais ainda não foram emitidos.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou nesta terça-feira que a decisão final sobre quem será convidado ainda não foi tomada.

Uma pessoa em Washington familiarizada com o assunto disse à Reuters na semana passada que a Nicarágua havia sido informada de que não seria convidada.

(Reportagem de Lisandra ParaguassuReportagem adicional de Kylie Madry, na Cidade do México, e Matt Spetalnick, em WashingtonEdição de Pedro Fonseca)

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.