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Médico pedófilo pode ter abusado de 200 menores na França

Getty Images
Imagem: Getty Images

22/08/2019 19h16

A justiça francesa investiga um caso raro de pedofilia envolvendo um cirurgião aposentado de 68 anos, do departamento de Charente-Maritime, na região oeste do país. A polícia encontrou na casa do médico diversos diários escritos a mão, nos quais ele detalha o que supostamente teria feito com cerca de 200 meninos e meninas menores de idade, identificados pelos nomes completos e, às vezes, seus endereços. As anotações cobrem um período de 30 anos, entre 1989 a 2017.

A justiça francesa investiga um caso raro de pedofilia envolvendo um cirurgião aposentado de 68 anos, do departamento de Charente-Maritime, na região oeste do país. A polícia encontrou na casa do médico diversos diários escritos a mão, nos quais ele detalha o que supostamente teria feito com cerca de 200 meninos e meninas menores de idade, identificados pelos nomes completos e, às vezes, seus endereços. As anotações cobrem um período de 30 anos, entre 1989 a 2017.

O cirurgião gastroenterologista, que não teve a identidade revelada, está preso desde maio de 2017. Mas o caso só veio à tona recentemente, depois que a advogada de uma das vítimas revelou a história à imprensa. Ele foi descoberto após a queixa apresentada pela família de uma menina de 6 anos da cidade de Jonzac. Poucos dias depois, o médico foi indiciado e a justiça decretou sua prisão provisória.

Um dia, durante a primavera de 2017, em Jonzac, essa criança de 6 anos saiu para passear com o pai. Quando voltavam para casa, ela viu seu vizinho médico correr para entrar dentro de casa. A menina contou para o pai que o vizinho havia mostrado recentemente o sexo para ela, através da cerca que separava os jardins das duas residências.

O pai da criança adverte a polícia que detém o suspeito para interrogatório. Ele já tinha em seu histórico judicial uma condenação em 2005 por difusão de imagem pornográfica de menor. Mas foi deixado em liberdade. Após a queixa da garotinha, a investigação revelou que, além da cena de exibicionismo sexual, ela foi estuprada pelo médico diante de seu irmão de 2 anos na época.

Mas foi durante a operação de buscas na casa do agressor que os policiais se depararam com o universo sórdido do médico. Ele escondia uma coleção de perucas, sex toys, bonecas infláveis, fotos pornográficas e imagens dele nu, assim como os diários onde descrevia minuciosamente os abusos sexuais contra menores.

Os cadernos apreendidos pela polícia contêm textos e desenhos realizados pelo cirurgião. A principal preocupação dos investigadores é saber se o que ele anotava como atos de pedofilia aconteceram na realidade ou eram apenas fruto de sua fantasia delirante. Há dois anos, a polícia busca as 200 vítimas potenciais citadas pelos respectivos nomes. Quatro vítimas foram formalmente identificadas.

Julgamento em 2020

O médico será julgado na cidade de Saintes no início de 2020 pelo estupro de quatro menores com idades inferiores a 15 anos, praticado por pessoa com autoridade. No mesmo processo, ele também é acusado de agressão sexual incestuosa de menor e exibicionismo. O aposentado, que reconhece parcialmente os fatos, pode ser condenado a 20 anos de prisão.

Além do que a Promotoria de La Rochelle descreve como "primeira parte" do processo, a investigação "continua a identificar e ouvir outras possíveis vítimas" no círculo próximo ou profissional do acusado. O quebra-cabeça para os investigadores é que, entre 1989 e 2017, o cirurgião trabalhou em quatro localidades diferentes do oeste do país.

Segundo a advogada Francesca Satta, que defende a família da pequena vítima de Jonzac, os atos descritos pelas outras três vítimas do julgamento previsto para 2020 estavam desenhados nos diários do cirurgião. Para ela, trata-se de um indício de que uma parte das cenas retratadas nos cadernos pode de fato ter ocorrido. Durante os interrogatórios, o médico reconheceu algumas agressões, mas negou qualquer estupro.

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