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Incêndios na Austrália: idosos se recusam a deixar suas casas e são retirados à força

Moradores de Nowra se preparam para deixar a região, mas alguns insistem em ficar em casa, apesar dos incêndios se que aproximam - Tracey Nearmy/Reuters
Moradores de Nowra se preparam para deixar a região, mas alguns insistem em ficar em casa, apesar dos incêndios se que aproximam Imagem: Tracey Nearmy/Reuters

Murielle Pardon

Enviada Especial da RFI à Austrália

04/01/2020 14h01

Milhares de moradores tiveram que deixar suas casas por causa dos incêndios florestais que atingem principalmente o sudeste da Austrália e já mataram dezenas de pessoas. O governo mobilizou os reservistas das Forças Armadas para tentar conter o fogo, que se aproxima cada vez mais das cidades. 

Este sábado (4) foi marcado novamente por ventos fortes e temperaturas acima de 40°C, tornando ainda mais difícil a luta contra as centenas de incêndios florestais que atingem o país há meses. O governo declarou estado de emergência no sudeste australiano, a região mais populosa - onde fica a cidade de Sydney. Na sexta-feira (3), foi dada a ordem de evacuar mais de 100 mil pessoas de três estados.

A chefe do governo do estado de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, incitou a população a deixar a região. "Ainda há uma janela de saída possível. Se vocês não precisam ficar nessa zona, partam! Essa janela vai se fechar", alertou.

Muitos moradores que ainda não deixaram suas casas se preparam para partir. "Ainda não nos evacuaram, mas já juntamos nossos pertences, documentos, fotos e roupas", conta Mary, uma moradora de Nowra (200 km ao sul de Sidney).

Os moradores de Nowra que não deixaram a região correm para os supermercados e estocam comida - Murielle Paradon/RFI
Os moradores de Nowra que não deixaram a região correm para os supermercados e estocam comida
Imagem: Murielle Paradon/RFI
Mas alguns preferem continuar na região, apesar do perigo. "Eu tive que sair de casa há três dias, mas só hoje conseguimos retirar minha mãe, que se recusava a partir", conta Cate, que também vive em Nowra. "As pessoas idosas estão meio perdidas. Elas têm medo do que pode acontecer quando deixarem suas casas, então somos obrigados a tirá-los a força", relata.

Os que ficam na região tentam estocar alimentos caso a situação piore e não possam sair de casa. "Nós compramos água, velas e carregamos as baterias. Estamos tentando nos preparar, pois queremos ficar aqui", afirma Susan, no estacionamento de um supermercado de Nowra, um dos poucos lugares animados de uma cidade praticamente deserta.

As autoridades alertaram que pode haver cortes no fornecimento de energia, pois o incêndio destruiu as linhas de transmissão de energia, e pediram aos moradores que reduzissem o consumo de eletricidade. O fornecimento de energia em Sydney, a maior cidade do país, foi afetado na noite de sábado e milhares de casas ficaram no escuro.

Militares reservistas em ação

O primeiro-ministro, Scott Morrison, convocou 3 mil reservistas militares para uma mobilização inédita no país.

"Isso permite ter mais homens na terra, mais aviões no céu, mais navios no mar", declarou neste sábado (4) o chefe de governo, muito criticado pela maneira como está lidando com essa crise.

Desde o início da temporada de incêndios em setembro, pelo menos 23 pessoas morreram, segundo o primeiro-ministro. Outras dezenas estão desaparecidas e mais de 1.300 casas foram reduzidas a cinzas.

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