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OCDE: Relatório aponta para desigualdade de acesso a ferramentas digitais nas escolas do Brasil

Alunos da Escola Estadual Dom Pedro II, em aulas presenciais, no centro da cidade de Manaus (AM) - SANDRO PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Alunos da Escola Estadual Dom Pedro II, em aulas presenciais, no centro da cidade de Manaus (AM) Imagem: SANDRO PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

29/09/2020 13h35

Um novo relatório divulgado nesta terça-feira (29) pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que a pandemia de coronavírus expôs muitas lacunas nos sistemas educacionais em todo o mundo. O Brasil é citado no documento como exemplo de desigualdade de acesso a tecnologias nas instituições de ensino.

O relatório intitulado de "Políticas Eficazes, Escolas com Sucesso" analisa os resultados dos últimos testes PISA realizados em 2018, com cerca de 600.000 alunos de 15 anos em 79 países e economias. Há dois anos, havia em média quase um computador disponível na escola para cada aluno de 15 anos. Ainda assim, em muitos países, os diretores relataram que os computadores não eram modernos o suficiente para a realização de cálculos complexos, por exemplo, uma situação enfrentada por um em cada três estudantes em todo o mundo.

O estudo aponta diferenças significativas entre estabelecimentos privilegiados e desfavorecidos. No Brasil, citado no documento, 68% dos alunos que frequentaram uma escola privilegiada em 2018 tiveram acesso a ferramentas digitais suficientemente poderosas, em comparação com apenas 10% dos alunos de escolas desfavorecidas. Na Espanha, o fosso é de 40 pontos percentuais.

Além disso, a capacidade dos professores de usar as tecnologias varia amplamente. Em média, nos países da OCDE, 65% dos jovens de 15 anos frequentaram uma escola em 2018, onde o diretor acredita que os professores tinham competência técnica e pedagógica para integrar ferramentas digitais ao ensino. Esta proporção varia consideravelmente dependendo do contexto socioeconômico do público da escola.

Segundo o diretor de Educação e Habilidades da OCDE, Andreas Schleicher, "os jovens desfavorecidos são particularmente afetados pelo ensino à distância na pandemia de coronavírus e cada país deve redobrar seus esforços para garantir que todas as escolas tenham os recursos de que precisam para que todos os alunos tenham a mesma oportunidade de aprender e ter sucesso."

Ensino a distância durante a crise sanitária

O documento aponta que, em tempos de pandemia, muitos alunos também não podem contar com elementos fundamentais e necessários para a aprendizagem em suas casas. Nos países da OCDE, por exemplo, 9% dos jovens de 15 anos, não podem contar com um local tranquilo para estudar.

Mesmo nos países que lideram os rankings PISA, como é o caso da Coreia do Sul, um a cada cinco jovens que frequentam estabelecimentos de ensino desfavorecidos, não podem contar com um espaço onde estudar em suas residências. Nas escolas sul-coreanas consideradas privilegiadas, a situação atinge um a cada dez alunos.

O relatório compara também outros aspectos essenciais das políticas escolares e da igualdade dentro dos estabelecimentos de ensino. O documento aponta que os resultados do PISA 2018 revelam disparidades consideráveis entre as escolas desfavorecidas e privilegiadas devido à falta de professores e recursos materiais, especialmente digitais. Antes mesmo da pandemia, a situação já era frequente.

"Em média, nos países da OCDE, 27% dos alunos estavam inscritos em 2018 em estabelecimentos cujo diretor indica que a aprendizagem é prejudicada por uma falta de professores", afirma o relatório. Essa desigualdade é frequente registrada em estabelecimentos desfavorecidos e públicos, onde o problema implica em resultados inferiores na compreensão da escrita.

Importância da pré-escola

O relatório aponta que a base do sucesso escolar está na pré-escola. "Os alunos que foram pré-escolarizados durante um período mais longo obtiveram melhores resultados no PISA do que aqueles que não foram pré-escolarizados antes do ensino primário", diz o documento.

Entre 2015 e 2018, a proporção dos adolescentes de 15 anos que cursaram três anos de escola maternal aumentou em 28 países. No entanto, a OCDE ressalta que, apesar deste avanço, crianças de famílias pobres são as que menos têm acesso à pré-escola. São também elas que, no futuro, seguirão a tendência de frequentar estabelecimentos de ensino desfavorecidos.

Por isso, o relatório indica que "convém, na perspectiva de um desenvolvimento da pré-escola, estar mais atento a reorientar as prioridades de acesso em direção à qualidade e ao acolhimento para o ensino".

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