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Arcebispo de Paris renuncia após ambiguidade em casos de pedofilia e celibato virem à tona

15.jun.2019 - O arcebispo de Paris, Michel Aupetit, celebra a primeira missa na catedral de Notre-Dame após o incêndio que destruiu parte da igreja - Karine Perret/AFP
15.jun.2019 - O arcebispo de Paris, Michel Aupetit, celebra a primeira missa na catedral de Notre-Dame após o incêndio que destruiu parte da igreja Imagem: Karine Perret/AFP

02/12/2021 13h12

O papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Paris, monsenhor Michel Aupetit, anunciou nesta quinta-feira (2) o Vaticano. Em meio aos escândalos de pedofilia na Igreja Católica francesa, o líder eclesiástico tinha apresentado seu pedido de demissão no final de novembro, depois de ter sido acusado na imprensa de manter um relacionamento com uma mulher, o que Aupetit negou de maneira categórica.

O papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Paris, monsenhor Michel Aupetit, anunciou nesta quinta-feira (2) o Vaticano. Em meio aos escândalos de pedofilia na Igreja Católica francesa, o líder eclesiástico tinha apresentado seu pedido de demissão no final de novembro, depois de ter sido acusado na imprensa de manter um relacionamento com uma mulher, o que Aupetit negou de maneira categórica.

A revista Le Point revelou a suposta relação do arcebispo em 25 de novembro. Na reportagem, a publicação afirmou que Aupetit teve "uma relação íntima e consentida com uma mulher" em 2012. A informação teria vazado em um e-mail que o religioso enviou por engano.

A diocese de Paris admitiu que o arcebispo se comportou de maneira "ambígua" com uma mulher naquele ano, mas negou que fosse um relacionamento amoroso ou sexual e assegurou que, naquela época, Aupetit procurou os superiores para informar sobre a situação.

Os bastidores da queda do arcebispo indicam, no entanto, que a insatisfação com o religioso era bem mais ampla do que o desrespeito ao celibato exigido dos padres. Mais do que os rumores sobre essa suposta relação, proibida pela Igreja Católica, ele perdeu o apoio de vigários e se tornou desafeto de famílias ultracatólicas de Paris, ao não condenar os abusos sexuais cometidos por padres contra 216.000 menores de idade, entre 1950 e 2020. Os casos foram revelados pela comissão independente de investigação coordenada por Jean-Marc Sauvé.

Desde que a Le Point revelou o caso, vieram à tona críticas ao temperamento ultracentralizador, arrogante e moralista de Aupetit. O arcebispo não teve empatia por famílias de fiéis que escreveram para ele no início do ano, chocadas com as denúncias de abuso sexual de menores por parte do diretor de um dos colégios católicos mais tradicionais da capital.

A Igreja francesa costuma exigir uma moralidade exemplar de seu rebanho de fiéis. Os líderes bem posicionados na hierarquia pregam a fidelidade no casamento, condenam o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e se posicionam com frequência contra avanços da ciência nas pesquisas, como fizeram nas discussões sobre o uso de células-tronco de embriões para o desenvolvimento de novas terapias.

Porém, diante de casos de pedofilia, monsenhor Aupetit, representante da principal arquidiocese do país, não se manifestou. Arrogante com seus subalternos, muito rígido na distribuição de penitências aos fiéis, Aupetit caiu porque colecionava críticas.

"Muito perturbado"

A Conferência Episcopal francesa confirmou a decisão do papa e a nomeação de Georges Pontier, arcebispo emérito da cidade de Marselha, ao cargo de administrador apostólico de Paris.

Em um comunicado, monsenhor Aupetit, 70 anos, se declarou "muito perturbado" com os ataques sofridos, mas afirmou que tem "o coração em paz". Apesar de ter administrado a crise causada pelo incêndio da Catedral Notre-Dame, em 2019, ele é punido pelo papa por sua ambiguidade.

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