Coreia do Norte insere 'potência nuclear' em Constituição; decisão preocupa

A Coreia do Norte incorporou à sua Constituição o status de potência nuclear, de acordo com uma informação divulgada nesta quinta-feira (27) pela agência oficial de notícias KCNA. A decisão preocupa as potências ocidentais, que temem que o país realize um novo teste atômico, o que não ocorre desde 2017, apesar das ameaças do regime norte-coreano.

A decisão foi anunciada pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante uma reunião da Assembleia Popular do país, nesta terça (26) e quarta-feira (27), segundo a KCNA. "A política de construção de uma força nuclear da RPDC (República Popular Democrática da Coreia) foi estabelecida de forma permanente, como lei, e ninguém pode burlar, de maneira alguma", disse

A Coreia do Norte, que realizou seis testes nucleares entre 2006 e 2017, anunciou há cerca de um ano que tornaria "irreversível" seu "status" de potência nuclear. A inclusão na Constituição autoriza o país a realizar ataques atômicos preventivos em caso de ameaça contra o regime.

Durante a reunião, Kim Jong-un também acusou os EUA, a Coreia do Sul e o Japão de formarem uma "aliança militar triangular", comparável a uma "versão asiática da Otan."

Segundo o líder norte-coreano, essa aliança é uma "ameaça real" e, diante dela, é essencial para a Coreia do Norte "acelerar a modernização de suas armas nucleares para continuar em vantagem na estratégia de dissuasão."

Kim Jong-un também ressaltou a importância de reforçar a produção de arsenal nuclear e de "diversificar os tipos de ataques atômicos", segundo a KCNA.

Japão considera declarações "inaceitáveis"

"O desenvolvimento de armas nucleares e mísseis pela Coreia do Norte ameaça a paz e a segurança do nosso país e da comunidade internacional", declarou nesta quinta-feira a porta-voz do governo japonês, Hirokazu Matsuno. Ela considerou as declarações do lider norte-coreano "inaceitáveis."

"Cooperamos com os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o resto da comunidade internacional para que as decisões do Conselho de Segurança da ONU e a desnuclearização completa da Coreia do Norte sejam colocadas em prática", acrescentou.

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Nesta terça-feira, na ONU, o embaixador norte-coreano na organização declarou que a península estava "à beira de uma guerra nuclear", e culpou a política americana na Ásia.

"Se a Coreia do Norte utilizar armas nucleares, a resposta da aliança americana e sul-coreana será implacável" alertou o presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol.

O regime norte-coreano multiplicou os testes de armamentos neste ano. No último, realizado em 13 de setembro, o país lançou dois mísseis balísticos de curto alcance. No mesmo dia, Kim Jong-un visitava Moscou, onde participou de uma cúpula com o presidente russo, Vladimir Putin.

A Rússia estaria interessada na compra de munições norte-coreanas para sua ofensiva na Ucrânia, e Pyongyang espera obter ajuda de Moscou para desenvolver seu programa de mísseis.

No mês passado, o regime norte-coreano fracassou na segunda tentativa de colocar um satélite espião em órbita. Em resposta, a Coreia do Sul e os Estados Unidos reforçaram sua cooperação, organizando exercícios conjuntos e manobras navais com o Japão.

No dia 2 de setembro, Pyongyang organizou um exercício de "simulação de ataque nuclear tático", com ogivas atômicas inoperantes encaixadas em dois mísseis de longo alcance que foram atirados no oceano, segundo a KCNA.

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A operação teria sido uma resposta às atividades militares conjuntas entre Washington e Seul, que agravaram as tensões na região.

(Com informações da AFP)

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