Seca leva Ceará a decretar emergência em 168 municípios; NE já tem mais de mil cidades afetadas

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió

O governo do Ceará homologou, nesta segunda-feira (28), decretos de emergência em 168 municípios por conta da seca que atinge o Estado. O número representa 91% dos 184 municípios existentes, maior índice de um Estado do Nordeste. Com os novos decretos já passa de 1.000 o número de cidades em emergência na região por causa da prolongada estiagem.

O decreto foi assinado pelo governador Cid Gomes (PSB), que anunciou algumas providências em relação à estiagem. Os decretos, segundo ele, servem para facilitar a chegada dos recursos federais anunciados. “Assim, vamos agilizar essas ações para que elas cheguem com mais celeridade às pessoas", disse, em pronunciamento. O governo não informou a quantidade de pessoas diretamente afetadas pela estiagem.

O governador se reuniu ontem com prefeitos e as bancadas estadual e federal para avaliar as primeiras medidas emergenciais adotadas pelo Estado. Aos prefeitos, o governador anunciou que o Estado vai pagar uma parcela extra do programa Garantia Safra, no valor de R$ 136, no mês de junho. O abono deve beneficiar 239 mil agricultores, que, pelas regras do governo federal, deveria receber o valor de R$ 680, divididos em cinco parcelas.

Gomes anunciou a ampliação da oferta de água por meio de caminhões-pipa, que deve ter um investimento federal de R$ 7,5 milhões. Hoje, o Exército mantém a operação Pipa, com 469 carros que devem atender 79 municípios. Também foram anunciadas a construção de cisternas, recuperação de poços artesianos e instalação e perfuração de poços profundos.

Outras informações sobre o Bolsa Estiagem, crédito especial para o agricultor e programa de suporte alimentar para os animais, todos do Governo Federal, foram repassadas aos prefeitos, para que disseminem os detalhes dos programas com os produtores.

Decretos

Com os novos decretos cearense subiu para 1.016 o número de municípios em situação de emergência pela seca no Nordeste, o que representa 56% dos 1.794 municípios nordestinos.

O Estado com mais pessoas afetadas é a Bahia, onde 2,3 milhões de pessoas sofrem com a prolongada estiagem. O número de decretos de situação de emergência chega a 244 e, segundo a Defesa Civil Estadual, ainda há municípios do semiárido que não encaminharam documentação, mas ainda podem entregar os decretos.

Em Pernambuco, onde 108 municípios decretaram emergência, mais de um milhão de pessoas são atingidas pela falta de água. Na Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte –outros três Estados que têm mais de 100 decretos reconhecidos-- estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas estejam sendo diretamente afetadas pela seca. Alagoas, Sergipe e Maranhão também apresentam problemas por conta da falta de chuvas.

Municípios em Emergência

  • Bahia 244
    Paraíba 170
    Ceará 168
    Rio Grande do Norte 139
    Piauí 122
    Pernambuco 108
    Alagoas 36
    Sergipe 18
    Maranhão 11

    TOTAL 1.016

    Fonte: Defesas civis estaduais

Estiagem prolongada

Segundo moradores ouvidos pelo UOL durante visita às cidades mais afetadas da região, a seca deste ano seria uma das maiores da história. Contudo, o meteorologista e coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Humberto Barbosa, disse que a mensuração exata do tamanho da seca não é possível de ser realizada.

Para Barbosa, há uma série de fatores e dados que têm de ser levados em conta. Além disso, a estiagem registrada este ano ainda não teve seu ciclo encerrado, informou o meteorologista. Governos estaduais citam que é a pior estiagem em ao menos 30 anos.

Um documento enviado nesta terça-feira (22) aos governadores e à presidente Dilma Rousseff, elaborado pela ASA (Associação do Semiárido) --que reúne cerca de 750 entidades do sertão nordestino--, diz que o momento enfrentado pelo Nordeste é “extremamente grave” e que a estiagem deverá se prolongar até 2013.

“Desde o ano passado não chove o suficiente para acumular água nas cisternas para consumo da família e para a produção. O quadro atual é grave! Há que se priorizar o socorro imediato às famílias que estão sem água, mas há a mesma urgência em investir em ações estruturantes para que essas famílias possam enfrentar os períodos de longa estiagem, cíclicos e previsíveis, sem passar fome ou sede”, alega a ASA, cobrando ações de convivência do sertanejo com a estiagem e políticas públicas que minimizem os tradicionais ganhos da “indústria da seca”.

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