Governo cria nova Força Nacional para combater desmatamento na Amazônia
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou nesta terça-feira (9) a criação da Força Nacional de Segurança Ambiental para enfrentar o avanço do desmatamento ilegal na Amazônia. A nova companhia atuará no apoio às ações de fiscalização no bioma, que passam a ocorrer de forma ostensiva e permanente.
“O crime ambiental vem se sofisticando. Para combatê-lo, estamos modernizando nosso sistema de controle”, afirmou Izabella. “Não sairemos mais da Amazônia Legal, mesmo com chuva. Todo mundo espera que a gente saia na [época da] chuva, para desmatar. Agora, a fiscalização com estratégia de inteligência estará permanente.”
Segundo ela, o trabalho desses grupamentos foram iniciados na região há pouco mais de um mês. A ministra disse, ainda, que o novo modelo de fiscalização também inclui serviços de inteligência envolvendo outros órgãos do governo e um programa de ação de combate aos crimes que será conduzido pelo Exército. Intitulado Proteger Ambiental, a criação do programa deve ser publicada esta semana.
Taxa de desmatamento
Em agosto, o Deter (Sistema de Monitoramento em Tempo Real), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostrou que a degradação e o desmatamento na Amazônia Legal atingiram uma área quase 200% maior do que a destruída em agosto do ano passado. Em setembro, a devastação na região caiu para 282 quilômetros quadrados, mas ainda afetou uma área maior do que a do ano passado, que foi de 213 quilômetros quadrados. No retrospecto de um ano, o Deter indicou redução de 23% entre agosto de 2011 e julho de 2012 frente ao mesmo período anterior.
A queda de 45,9% no número de alertas de desmatamento na comparação entre agosto e setembro deste ano foi impulsionada, principalmente, pela redução de 83% da área desmatada no Pará e de 32% em Mato Grosso. Esses dados, segundo Izabella, serviram para direcionar o sistema de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), que autuou 226 propriedades nesses dois meses.
Ao todo, foram aplicados R$ 216,3 milhões em multas com o embargo de 30,4 mil hectares em áreas, além da apreensão de 32 tratores, 19 caminhões, motosserras e armas de fogo. O volume de apreensões chegou a 4.400 metros cúbicos em madeira e a 10,6 mil metros cúbicos em toras.
Em setembro, além da redução, ocorreu uma inversão no perfil da área observada. Pela primeira vez as imagens da destruição foram analisadas, permitindo que o governo distinguisse degradação do corte raso, a etapa final do desmatamento.
Por meio dessa fiscalização direta, o Ibama constatou que, em agosto, 40% dos alertas decorreram do corte raso. O restante se refere a mudanças de paisagem devido a fenômenos como queimadas. “Após as chuvas ocorre a regeneração da vegetação atingida, por isso não é caracterizado o desmatamento nem a mudança de uso do solo”, justificou Izabella.
O período de forte seca e estiagem em agosto, sob a influência do fenômeno El Niño; a pressão econômica dos preços internacionais do ouro e commodities; e a grilagem de terras na BR-163 foram os fatores apontados como causas do comportamento atípico das taxas de desmatamento. (Com informações da Agência Brasil)
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