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Temer vê fim da 3ª via com políticos 'que não abrem mão da candidatura'

O ex-presidente Michel Temer foi convidado por Jair Bolsonaro para chefiar a missão brasileira ao Líbano - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O ex-presidente Michel Temer foi convidado por Jair Bolsonaro para chefiar a missão brasileira ao Líbano Imagem: Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Colaboração para o UOL

22/09/2021 10h41

O ex-presidente Michel Temer (MDB) deu uma fala de descrença sobre a ideia de uma terceira via política ter sucesso nas eleições de 2022. Para o emedebista, a tentativa de opção à polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido) pode terminar antes mesmo de começar.

"Vejo que, no presente momento, começa a se espalhar um pouco os votos dessa terceira via. Vejo alguns candidatos adeptos da via que não vão abrir mão da sua candidatura", disse no Painel Telebrasil 2021 realizado ontem.

"Eu, pelo menos, já tenho ciência de duas que não abrirão (mão)", falou Temer, em provável referência a João Doria (PSDB), que já concorre nas prévias do partido, e Ciro Gomes (PDT). Para o ex-presidente, se houver mais de três candidaturas para bater de frente com Lula e Bolsonaro "falece a ideia da terceira via unificada e a polarização vai continuar da mesma maneira".

"Acho que a chamada terceira via é homenagem ao eleitorado, não necessariamente ao candidato", apontou. Ainda segundo a análise feita por Temer, o modelo político do Brasil não está funcionando. Ele ressaltou que a Constituição é "jovem", mas o país já passou por dois impeachments desde a implementação da carta magna em 1988.

Além desses dois processos, de Fernando Collor de Mello (PROS-AL) em 1992 e o de Dilma Rousseff (PT) em 2016 que levou Temer à presidência, os pedidos de impedimento contra Bolsonaro "causam traumas institucionais no país" e "instabilidade política e social".

Para o emedebista, o presidencialismo do Brasil está "esfarrapado" e o país deveria migrar para um modelo semipresidencialista, posição defendida também por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara.

Recentemente, Temer foi convidado a Brasília por Bolsonaro para ajudar a amenizar a crise institucional entre o Executivo e demais Poderes. Assim, o ex-presidente auxiliou a escrever a Declaração à Nação, carta do mandatário federal após ameaças golpistas no 7 de setembro.