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Mandetta: governador não precisa politizar paternidade da cloroquina

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva sobre as medidas do governo para o combate do novo coronavírus no Brasil - EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva sobre as medidas do governo para o combate do novo coronavírus no Brasil Imagem: EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

08/04/2020 17h31

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou hoje, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, que o uso da cloroquina para tratamento contra o coronavírus não tem paternidade e criticou, sem citar nomes, quem está transformando, segundo ele, o tema em um jogo político.

Hoje, o governador de São Paulo, João Doria, declarou que foi o coordenador Centro de Contingência ao Coronavírus de São Paulo, David Uip, que indicou o uso de cloroquina ao ministro da Saúde.

"Hoje fui citado. Volto a repetir. Conselho Federal de Medicina [CFM]. [Dos que estavam] presentes na videoconferência, um deles [era] o coordenador de São Paulo [David Uip]. A discussão era: se usamos [a cloroquina] nos casos críticos, vamos usar nos graves? Quem são os graves: os pacientes com dificuldades respiratórias, mas que não vão para tubo. Quem analisa isso? O Conselho Federal de Medicina. Hoje, esse medicamento não tem paternidade, um governador não precisa querer politizar esse assunto", disse o ministro.

"Esse assunto está devidamente colocado. Nós precisamos que todos tenham maturidade, tenham visão, foco, disciplina para que a gente possa atravessar esse momento", completou o ministro.

"Não vai ser da cabeça do Uip ou da minha cabeça", disse a respeito da definição do uso da cloroquina. "Não existe dono da verdade", completou.

O Ministério da Saúde anunciou hoje que subiu para 800 o número de mortes pelo novo coronavírus no Brasil — 133 óbitos confirmados nas últimas 24 horas. Até ontem, eram 667 mortes.

No total, são 15.927 casos oficiais no país até agora — aumento de 2.210 diagnósticos no país em um único dia —, segundo o Ministério. A taxa de letalidade — que compara os casos já confirmados no Brasil com a incidência de mortes — é de 5%.

Bolsonaro x Doria

Mais cedo, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) xingou Doria de "canalha" no Twitter após a fala do governador sobre a suposta sugestão que Uip deu ao Ministério. "Canalha! Mil vezes canalha! O senhor não tem o mínimo de senso de escrúpulo! Não tem vergonha na cara, governador", escreveu o filho do presidente, que defende que a ideia para o uso do medicamento partiu do próprio governo federal.

Na coletiva de hoje, o governador de São Paulo afirmou também que a prescrição da cloroquina cabe ao médico, elogiou Mandetta e criticou o que chamou de "milícias virtuais" que estariam atacando médicos.

"Peço respeito à medicina e aos médicos. Nossa guerra é contra o coronavírus. O ministro Mandetta vem cumprindo bem sua função como ministro da saúde. Não faz sentido atacar o médico David Uip, pelo dito gabinete do ódio. E nem o doutor Roberto Kalil. Por favor, respeitem os médicos e a medicina, os enfermeiros, aqueles que estão doando seu conhecimento e dedicação para ajudar as pessoas a manterem sua saúde", completou o governador.

As trocas de farpas entre Doria e o clã Bolsonaro começaram após o governador e o Executivo não concordarem nas formas de prevenção do coronavírus no Brasil. Doria chegou a questionar publicamente se todos os especialistas, governadores, o ministro da Saúde e os outros países estão errados e apenas Bolsonaro está certo.

Nesta semana, o clima ficou mais tenso quando infectologista David Uip não quis revelar se usou a cloroquina — medicamento defendido pelo governo, mesmo ainda sem provas científicas de sua eficácia — para se recuperar da covid-19.

Hoje pela manhã, Uip confirmou que imagem de uma receita médica prescrevendo difosfato de cloroquina atribuída a ele é real. Apesar de falar da veracidade da receita, ele não mencionou na entrevista para a rádio Gaúcha se tomou ou não o medicamento.