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Blocos de rua


Orquestra Voadora traz política e irreverência em seu 3º desfile em SP

Patricia Larsen

Colaboração para o UOL

10/03/2019 15h09Atualizada em 10/03/2019 18h16

Com 200 ritmistas, a Orquestra Voadora, que completou dez anos de desfile no Rio de Janeiro, fez sua terceira apresentação no pós-Carnaval de São Paulo. Com uma apresentação recheada de músicas brasileiras e internacionais e uma fanfarra completamente fantasiada, o bloco trouxe política e inclusão para o seu desfile.

O mestre do bloco, Carlos Eduardo Smith, o "Lencinho", estava animado: "São Paulo é uma ótima cidade e que está abraçando o Carnaval de rua. A cada ano, fica maior". O organizador da Pipoca, Guilherme Pereira, grupo que traz o bloco da Orquestra Voadora pela terceira vez a São Paulo, concorda. "No primeiro ano contamos com um público de 15 mil pessoas. Neste ano, foram mais de 30 mil".

O casal Valentin Vanpampues, holandês, que está no Brasil há dois anos, e a socióloga Valquiria Felizardo, estavam encantados com o desfile. "Já vimos um show da Orquestra no Rio. Mas é a primeira vez no Carnaval", contou Valentin, que está apaixonado pela folia da cidade.

José Maurício Rodrigues Lima, assessor de imprensa, vem pelo terceiro ano ao bloco e vai mais longe. "Eles demonstram a importância do Carnaval continuar popular. Não se deve monetizar os blocos. Quando isso acontece, se perde sua essência".

André Lucas/UOL
Imagem: André Lucas/UOL

Bloco da inclusão 

A cantora da Orquestra Voadora, Raissa Couto, foi uma das organizadoras da ala da inclusão. "No Rio de Janeiro, fizemos isso pela primeira vez. Convidamos 15 deficientes físicos para estar com a gente no Carnaval. Aqui, em São Paulo, foram dez, mais seus convidados. Esse é um importante passo para tornar o Carnaval de rua cada vez mais inclusivo", contou.

O deficiente visual, Gustavo Torneiro, aceitou o convite. "Já vim para o Carnaval com amigos, mas é sempre uma grande aventura e tenho uma enorme sensação de insegurança. Essa será a primeira vez dentro de uma corda", disse.

Tom político 

Com faixas escritas "Quem matou Marielle?" e "Quanto Vale a Vida", a Orquestra Voadora deu todo o tom do desfile.

Para o Lencinho, esse é um momento especial. "Além de homenagear Marielle, Marcelo Yuka, vamos lembrar de Pedro Gonzaga [morto no supermercado Extra], Claudia Ferreira [arrastada por policiais] e centenas de pessoas que sentem a truculência desse momento".

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