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Alberto Bombig

REPORTAGEM

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Petistas querem retomar mobilização com Lula fora da zona de conforto

22.dez.2021 - O ex-presidente Lula (PT) em evento com catadores na Quadra do Sindicato dos Bancários, em São Paulo - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
22.dez.2021 - O ex-presidente Lula (PT) em evento com catadores na Quadra do Sindicato dos Bancários, em São Paulo Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Alberto Bombig

Alberto Bombig é jornalista com passagens pela Folha de S. Paulo, revista Época e O Estado de S. Paulo.

Colunista do UOL

24/03/2022 17h36

A mais recente pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira, 24, foi recebida em clima de velório nos grupos políticos fora das órbitas de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), nas candidaturas da chamada "terceira via". Mas também gerou reações entre petistas influentes, alguns com cargos na direção partidária, que enxergam a necessidade de Lula deixar a "zona de conforto" que a liderança isolada do levantamento sugere e aumentar a pressão da oposição sobre o presidente.

A sensação entre petistas é de que Bolsonaro passou a jogar sem marcação desde meados do ano passado, quando os protestos de rua contra o governo cessaram. No entorno de Bolsonaro, o clima de otimismo só não é completo porque, neste momento, há preocupações com a crise envolvendo o MEC e a influência da guerra da Ucrânia na economia brasileira, mais especificamente, no preço dos combustíveis. Interlocutores do presidente atribuem seu bom desempenho na pesquisa Datafolha a uma certa moderação em suas atitudes, como o fim dos ataques à vacina contra a covid-19.

No PT, a ligeira recuperação das intenções de voto do presidente da República, apontada pelo levantamento, deu força ao grupo de petistas que cobra maior mobilização popular, mais pressão sobre Bolsonaro e uma pré-campanha de Lula mais organizada e que envolva mais setores do partido. Um dirigente entende que, pela primeira vez, Lula poderá ser obrigado a sair da zona de conforto em que se encontrava para liderar um esforço mais concentrado de oposição contra o atual governo.

No centro, as dificuldades para uma união das candidaturas permanece porque nenhum dos nomes desse espectro eleitoral consegue se "desgarrar" dos demais para funcionar como um polo aglutinador de forças. Às vésperas de deixar o Palácio dos Bandeirantes, João Doria (PSDB) continua empatado com o deputado André Janones (Avante). A fotografia de hoje é qualitativamente pior do que as anteriores porque há uma espécie de conspiração tucana em curso para impedir a continuidade da pré-candidatura do governador de São Paulo.

Os índices, porém, também não são animadores para Sérgio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB). O ex-juiz permanece patinando sem sair do lugar, ainda que seja o melhor colocado dos nomes da centro-direita. Ciro enfrenta o mesmo problema, só que na centro-esquerda. No caso da senadora, era esperado entre emedebistas que ela apresentasse alguma melhora nas intenções de voto após ter ocupado a propaganda partidária de rádio e televisão do partido neste mês, a exemplo de Ciro.