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Alberto Bombig

REPORTAGEM

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O jogo dos sete erros de Doria, segundo ex-auxiliares e aliados

O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) se emocionou após anunciar que desistiu de ser candidato à Presidência - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) se emocionou após anunciar que desistiu de ser candidato à Presidência Imagem: Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Alberto Bombig

Alberto Bombig é jornalista com passagens pela Folha de S. Paulo, revista Época e O Estado de S. Paulo.

Colunista do UOL

23/05/2022 16h41Atualizada em 24/05/2022 08h25

A coluna conversou, ao longo dos últimos dias, com vários ex-auxiliares de João Doria no governo de São Paulo e com aliados dele dentro do PSDB para entender as razões que levaram ao isolamento político dele. Abaixo, um compilado dos sete principais erros (sempre na visão desses interlocutores de Doria) cometidos pelo tucano, que nesta segunda-feira, 23, desistiu do sonho de concorrer à Presidência pelo PSDB.

1) A ESCOLHA DE BRUNO ARAÚJO COMO PRESIDENTE DO PSDB: Doria escolheu para comandar o PSDB um tucano que em nenhum momento foi avalista de sua pré-candidatura. Além disso, apesar de ser um dirigente importante no partido, Araújo é de Pernambuco, estado onde o PSDB possui pouca representatividade.

2) A MONTAGEM DO GOVERNO PAULISTA: Doria tentou nacionalizar, ainda em 2018, a montagem de seu secretariado, nomeando ex-ministros da gestão Michel Temer na Presidência e convidando quadros de outros estados. Nenhum deles, porém, conseguiu alargar o trânsito de Doria para além dos limites de São Paulo.

3) A POSIÇÃO NO ESPECTRO POLÍTICO: Doria quis ser o anti-Bolsonaro, porém, em um partido de centro-direita, ou seja, um erro estratégico. Não custa lembrar que parte da bancada federal do PSDB na Câmara tem votado, sistematicamente, como governo. O ideal, dizem aliados, teria sido ele mirar no pós-Bolsonaro e diminuir a artilharia quase diária que disparava na direção do presidente.

4) O USO DE DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS: No início de seu governo em São Paulo, Doria afastou da gestão Gilberto Kassab e Aloysio Nunes Ferreira, ambos sob investigação. Entretanto, não usou a mesma régua ao manter, por exemplo, Alexandre Baldy no governo, mesmo após ele ter sido preso. Mágoas e ressentimento surgiram nesse processo.

5) O DESCUIDO COM LIDERANÇAS HISTÓRICAS DO PSDB EM SP: Doria não prestigiou como deveria as principais lideranças do partido em São Paulo: Geraldo Alckmin, José Serra, Alberto Goldman e FHC. O primeiro, aliás, saiu do partido. Em contraponto, basta lembrar o gesto de Serra que trouxe Geraldo para o governo do estado e depois o fez candidato à sucessão em 2010

6) O FOCO EXCESSIVO NO MARKETING: Doria realizou mais de uma centena de coletivas de imprensa e milhares de postagens em redes sociais. Em dado momento cogitou, inclusive, mudar o nome do PSDB, suas cores e símbolos. Mesmo com a vitória obtida com a primeira vacina contra a covid aplicada no Brasil, o governador teria exagerado na exposição de sua marca.

7) A MENTALIDADE EMPRESARIAL: Uma vez no governo, Doria se comportou como o CEO de uma empresa e até colheu bons resultados: trouxe a vacina para o Brasil e teve marcas positivas: São Paulo cresceu cinco vezes mais do que o Brasil no período em que ele foi governador. Mas, justamente por não entender que a política não é uma empresa, acabou rifado pelos políticos.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, Serra trouxe Alckmin para o governo do estado e depois o fez candidato à sucessão em 2010, e não em 2006. O texto foi corrigido.