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André Santana

REPORTAGEM

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Uso da Força Nacional para intervenção é provocação de Bolsonaro, diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Ricardo Stuckert/Twitter
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Imagem: Ricardo Stuckert/Twitter
André Santana

André Santana é jornalista, cofundador do Instituto Mídia Étnica e do portal Correio Nagô

26/08/2021 14h00

Em visita a Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu hoje como "provocação" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) um eventual uso da Força Nacional para intervenção nos estados sem aval dos governadores. Essa interpretação do decreto que regula a Força Nacional —que não tem respaldo constitucional— está em discussão no governo federal, segundo revelou o colunista do UOL Leonardo Sakamoto.

"Não podemos aceitar provocação de Bolsonaro. Ele está desesperado, inventando histórias todo dia, contando cinco mentiras por dia, provocando a tudo e a todos. Cada declaração que ele faz cai em descrédito", disse Lula à coluna em entrevista após visitar uma policlínica na capital baiana.

Acompanhando de Lula, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), também condenou o uso das Forças Nacionais sem a anuência dos governos estaduais. Para ele, a proposta faz parte de estratégia diversionista.

"A cada dia o presidente pauta a imprensa e as redes sociais com factoides, com falsas polêmicas, para esconder a sua desumanidade e a sua incapacidade de governar."

O governador disse que a Força Nacional é o somatório de policiais militares cedidos pelos estados ao governo federal e que tanto a lei que criou a Força Nacional como a Constituição são claras ao destacar que seu uso está condicionado à solicitação pelos governos estaduais.

"Recentemente, para fazer política e disputa ideológica, ele [Bolsonaro] utilizou a Força Nacional para resolver uma briga de vizinhos em um assentamento no extremo sul da Bahia. Gastou uma fortuna por dias. Fomos à Justiça para apuração da responsabilidade e a Justiça reafirmou o que está na lei: o uso restrito aos governadores. Ele vai plantando armadilhas para que o povo brasileiro fique discutindo as bobagens dele ao invés de discutir os verdadeiros problemas do país."

7 de Setembro

Lula também falou sobre os atos pró-Bolsonaro convocados para o dia 7 de setembro.

"Ele está tentando utilizar um desfile que é oficial, que acontece há quase 150 anos, para proveito político. Isso não é aceitável, de alguém que quer tratar o Exército como propriedade dele e não do Estado."

Questionado sobre eventual impeachment do presidente, Lula disse acreditar que, se não houver essa possibilidade de afastamento por meio do Congresso Nacional, o povo brasileiro vai resolver em 2022, retirando Bolsonaro do poder, pelo voto.