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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ida de Guimarães a evento cancelado é vista como resistência à demissão

Presidente da Caixa, Pedro Guimarães - Isac Nóbrega/Presidência da República
Presidente da Caixa, Pedro Guimarães Imagem: Isac Nóbrega/Presidência da República
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

29/06/2022 10h35

Pivô da mais nova crise do governo de Jair Bolsonaro (PL), o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, participa na manhã desta quarta-feira (29) de um evento do banco, em Brasília, para divulgar o Plano Safra 2023. Após as denúncias de assédio, o banco informou à imprensa que estavam cancelados o pronunciamento e a coletiva de Pedro Guimarães sobre o tema.

Hoje, no entanto, mesmo com aliados do presidente Bolsonaro pressionando para que Guimarães deixe o governo, o presidente da Caixa apareceu, e a cerimônia aconteceu, mas fechada para a imprensa.

A presença de Guimarães no evento foi vista por auxiliares do presidente como uma demonstração de que ele "não quer deixar o cargo". "Está resistindo, mas o presidente vai demitir", afirmou um interlocutor.

Campanha vê desgaste e quer demissão

A revelação do site Metrópoles, com depoimentos de funcionárias da Caixa acusando Guimarães de assédio, virou a mais nova crise no comitê de campanha à reeleição de Bolsonaro, que ainda tentava se reorganizar após o baque da prisão do ex-ministro Milton Ribeiro.

Agora, as acusações de assédio atingem uma figura muito próxima ao presidente e têm potencial "destruidor" para a campanha de Bolsonaro, que tem dificuldades justamente com o público feminino. Os desdobramentos do caso, como os vídeos dos depoimentos exibidos pela TV Globo, na avaliação de uma fonte, tornam "insustentável" a permanência do executivo no cargo.

Para piorar ainda mais a situação de Bolsonaro, auxiliares destacam que Guimarães é o responsável pelo Auxílio Brasil, justamente a bandeira que os marqueteiros estão defendendo que Bolsonaro explore mais durante a campanha.

Fontes do governo também reagiram com indignação às denúncias e afirmaram que Bolsonaro "tem que demitir" logo o presidente da Caixa para tentar afastar logo essa crise do Planalto.