PUBLICIDADE
Topo

Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pedro Guimarães não quer ser demitido, mas sair "a pedido"

O presidentes da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e o presidente Jair Bolsonaro  - Valter Campanato/Agência Brasil
O presidentes da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e o presidente Jair Bolsonaro Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

29/06/2022 09h04

A saída de Pedro Guimarães da presidência da Caixa Econômica Federal será anunciada ainda nesta manhã, mas a forma como ela se dará é motivo de embate neste momento entre alas do governo.

Guimarães, alvo de denúncias de assédio sexual por funcionárias do banco, como revelou ontem o site Metrópoles, insiste em sair "a pedido" —e exige que o governo endosse a sua versão de que "preferiu pedir demissão" para cuidar da sua defesa e evitar prejudicar o chefe, o presidente Jair Bolsonaro.

Já aliados do centrão e integrantes do núcleo duro da campanha querem que Guimarães seja não apenas demitido, mas que saia "sob vara", de forma a "mostrar toda a indignação" de Bolsonaro diante do episódio e, sobretudo, tentar minimizar o efeito negativo que o caso deve ter para o presidente entre o já pouco receptivo eleitorado feminino.

Neste momento, o ex-secretário especial de Comunicação Social Fabio Wajngarten está no Palácio da Alvorada tentando convencer Bolsonaro a anunciar que o presidente da Caixa deixa o governo demitido.

Estrategistas do Palácio consideram que o presidente já perdeu um tempo precioso no episódio e deveria ter anunciado o desligamento de Guimarães ontem mesmo.

Segundo um desses estrategistas, Bolsonaro disse que queria consultar o ministro da Economia Paulo Guedes para saber "como o mercado iria reagir" à saída de Guimarães. O presidente, afirmou o assessor, queria também indicar imediatamente o sucessor do atual presidente da Caixa — entre outros motivos, para não desencadear entre aliados uma disputa política em torno do cargo sob o qual está a maior bandeira de campanha da reeleição, o Auxílio Brasil.