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Carolina Brígido

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Com linguagem contida, Judiciário não responde Bolsonaro na mesma moeda

O presidente do STF, Luiz Fux - Felipe Sampaio/STF
O presidente do STF, Luiz Fux Imagem: Felipe Sampaio/STF
Carolina Brígido

Escreve sobre Judiciário, especialmente o STF, desde 2001. Participou da cobertura do mensalão, da Lava-Jato e dos principais julgamentos dos últimos anos. Foi repórter e analista do jornal "O Globo" de 2001 a 2021. Foi colunista a revista "Época" de 2019 a 2021.

Colunista do UOL

02/08/2021 16h44

A cúpula do Judiciário bem que tentou, mas passou longe de responder as agressões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na mesma moeda. Nesta segunda-feira (2), o presidente dobrou a aposta nos ataques ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Disse que ele precisava "baixar a crista". Recebeu como resposta uma nota oficial e um discurso burocrático.

As críticas de Bolsonaro ao Judiciário são sempre um tom acima das respostas recebidas. Pela manhã, provocou Barroso: "Ele acha que é intocável? Ele acha que é o dono da verdade? O que o senhor Barroso acha que é? Ele tem que baixar a crista um pouquinho e se adequar à realidade". No domingo, houve uma série de manifestações nas ruas a favor do voto impresso e de Bolsonaro.

Em seguida, foi divulgada uma nota oficial com a assinatura de todos os ex-presidentes do TSE desde 1988 em defesa do sistema eletrônico de votação. O texto diz que nunca se documentou fraude em eleições desde que a urna eletrônica foi adotada, em 1996. Na lista dos signatários estavam todos os ministros do STF, com exceção de Kassio Nunes Marques, que nunca integrou o TSE.

À tarde, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, fez um discurso na sessão de retomada das atividades da Corte. Embora tenha adotado uma fala contundente para seus padrões, Fux se posicionou bem abaixo das críticas de Bolsonaro. O ministro defendeu a democracia e cobrou responsabilidade nas falas dos chefes de poderes. Não foram usadas palavras incisivas.

Logo depois, Bolsonaro participou de um evento público e, em discurso, fez o segundo ataque do dia à Justiça Eleitoral. Disse que o Brasil vai se tornar uma Venezuela se não houver voto impresso e se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencer as eleições.

E o tiroteio verbal não tem hora para terminar hoje. À noite, será realizada a sessão de retomada das atividades do TSE. A expectativa é de que Barroso faça um discurso contundente em defesa do sistema de votação brasileiro. Sem dúvida, será mais um gancho para novos ataques de Bolsonaro ao Judiciário.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL