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Carolina Brígido

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ministros do STF estão preocupados com manifestações, mas descartam golpe

Carolina Brígido

Escreve sobre Judiciário, especialmente o STF, desde 2001. Participou da cobertura do mensalão, da Lava-Jato e dos principais julgamentos dos últimos anos. Foi repórter e analista do jornal "O Globo" de 2001 a 2021. Foi colunista a revista "Época" de 2019 a 2021.

Colunista do UOL

06/09/2021 14h38

Entre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), paira uma grande preocupação com as manifestações de Sete de Setembro. Ainda assim, não há temor em relação a eventual golpe ou ruptura institucional. O foco das atenções é a proporção que os protestos podem adquirir e como isso pode aumentar a polarização política no país.

A polarização hoje já é grande, provocada pelas constantes declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra o STF, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e seus respectivos ministros. O principal alvo era Luís Roberto Barroso, presidente do TSE. Agora, a mira mudou para Alexandre de Moraes, relator de várias investigações que correm contra o presidente no STF.

De um lado, o presidente ataca os ministros. De outro, os tribunais abrem inquéritos contra Bolsonaro. Esse cabo de guerra acabou enfraquecendo o Judiciário e fortalecendo Bolsonaro entre seus militantes mais fiéis. O presidente não deve fazer as pazes com os ministros dos tribunais, em troca de continuar recebendo o apoio de seus seguidores.

Depois do Sete de Setembro, o mais provável é que Bolsonaro se fortaleça para as eleições de 2022. E, em contrapartida, o STF fique enfraquecido perante a opinião pública. Isso geraria ainda mais ataques aos ministros e ao tribunal nas redes sociais.

Alguns ministros, como Barroso e o presidente do STF, Luiz Fux, têm diálogo constante com militares e setores do governo. Entre os interlocutores, estão o vice-presidente, o general Hamilton Mourão, e o ministro da Defesa, o também general Braga Netto. A avaliação é de que não há apoio suficiente para Bolsonaro para sustentar uma ruptura institucional - nem dos militares, nem do governo, nem do mercado, nem da maioria dos brasileiros.

Ainda que não haja terreno para golpe neste momento, ministros do STF temem que o discurso golpista seja fortalecido no Sete de Setembro, a depender do tamanho das manifestações. Seria como plantar uma semente. Com o STF enfraquecido e o discurso golpista em alta, a campanha de 2022 tem tudo para ser um barril de pólvora, com a democracia ameaçada de forma perene.