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Chico Alves


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Criada para apoiar Bolsonaro, plataforma de WhatsApp passa a criticá-lo

Presidente Jair Bolsonaro - AFP
Presidente Jair Bolsonaro Imagem: AFP
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

23/10/2019 21h41

Eleito com participação decisiva das redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro vem perdendo apoio entre ativistas digitais que durante a campanha estavam a seu lado de forma incondicional. O motivo principal é o que alguns deles consideram como traição à Operação Lava Jato e à luta contra a corrupção.

O mais recente sinal desse desgaste veio da plataforma Zap Brasil, que até pouco tempo se chamava Zap Bolsonaro, integrada por mais de 10 mil pessoas. Foi criada para disseminar no aplicativo WhatsApp mensagens a favor do presidente e contra seus adversários. Em postagem feita na noite de quarta-feira, o administrador da plataforma, conhecido apenas como Carlos Henrique, deixou clara sua insatisfação com o presidente.

"Olá amigo do ZapBrasil. Como vc percebeu estamos mudando de nome, porque não acho justo, muito menos honesto usar o nome de ZapBolsonaro, visto que estamos parcialmente muito (sic) decepcionados com as atitudes do Presidente, principalmente, na defesa da Lava Jato", escreveu ele.

A seguir, relaciona algumas lições que aprendeu no ativismo. Algumas delas: "Não devemos endeusar político", "Político só pensa nas próximas eleições", "Colocar pessoas novas, honestas e capacitadas nos cargos públicos é e será fundamental" e "Político só funciona com pressão. Então melhor que seja a nossa".

Carlos Henrique informa que os grupos vão permanecer fechados, "ainda mais agora com investigações e leis duras, que qualquer postagem em grupos os adms podem ser responsabilizados. Sempre fomos e estamos sendo vigiados". E termina dizendo que "manada não serve para construir nada de bom".
No dia 25 de setembro, a plataforma já tinha anunciado que faria uma pausa na ação virtual por causa da "omissão do nosso Presidente" na defesa da Lava Jato. As postagens voltaram somente na sexta-feira 4. Pela primeira vez, o conteúdo era contra Bolsonaro e sua prole, numa ação oposta ao objetivo inicial da plataforma.

Sob o título "Quem dera Bolsonaro gostar da Lava Jato como gosta dos filhos", a postagem traz uma foto do presidente ao lado de Flavio, Eduardo e Carlos. O texto enumera críticas aos três: "01- Caso Queiroz na gaveta do STF. 02 - Fala em nome do pai nas redes sociais sem ao menos ter a ombridade (sic) de assumir. 03 - Indicação para a embaixada dos USA". A mensagem termina em letras maiúsculas com um alerta de que a Lava Jato está "indo para o espaço".

Logo depois da postagem desta quarta-feira, com críticas a Bolsonaro, dezenas de pessoas que integram os mais de 100 núcleos do Zap Brasil deixaram seus grupos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Chico Alves