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Chico Alves


Presidente do Patriota: "Acordo com Bolsonaro não pode ser bom para um só"

Adilson Barroso e Jair Bolsonaro  -  reprodução/Facebook
Adilson Barroso e Jair Bolsonaro Imagem: reprodução/Facebook
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

29/10/2019 17h32

O presidente e fundador do partido Patriota, Adilson Barroso, disse à coluna que continua de portas abertas para receber Jair Bolsonaro, caso ele saia do PSL. Mesmo com a notícia de que pessoas próximas ao presidente descartam a legenda como uma das opções, ele quer tratar do assunto pessoalmente com o presidente antes de encerrar as tratativas. Mas faz uma ressalva: "O acordo não pode ser bom para uma pessoa só".

Segundo a informação publicada pelo Congresso em Foco, o Patriota deixou de ser uma alternativa para Bolsonaro depois que Barroso não aceitou mudar os integrantes do diretório nacional da sigla. "Estamos dispostos a ceder muita coisa para contar com o presidente, mas não podemos jogar fora todo mundo que construiu a legenda esse tempo todo, dizer que ninguém presta", confirma ele. "Somos políticos, precisamos do nosso filho para concorrer às eleições".

O presidente do Patriota destaca o número de parlamentares do partido para mostrar que a sigla não é insignificante: 1.100 vereadores, 30 prefeitos, 70 vices, 28 deputados estaduais e nove deputados federais. "Isso é mais que muitas legendas consideradas grandes como PPS, PROS ou PSC", diz Barroso.

Ele não quer encerrar a negociação antes de falar pessoalmente com Bolsonaro. "Sempre que vou ao Congresso, os deputados do PSL dizem que o presidente tem que vir para cá. Acho que ainda é possível acertar os ponteiros, mas temos que manter alguns postos, o controle de um estado ou outro", detalha.

Foi o próprio Bolsonaro e seu grupo que o convenceram a mudar o nome de PEN (Partido Ecológico Nacional) para Patriota, ainda quando planejavam a estratégia para concorrer às eleições de 2018. Os planos mudaram e o atual presidente acabou decidindo ingressar no PSL. Diante do embate entre Bolsonaro e o grupo pesselista ligado a Luciano Bivar, Barroso viu crescer a esperança de que voltassem a firmar parceria. "Muita gente acha que eu fiquei magoado com a saída dele, mas nós não nos digladiamos", explicou o chefão do Patriota, em entrevista ao UOL no final de setembro. "Quem sabe Deus manda ele para cá de volta?"

Caso o Patriota seja mesmo descartado por Bolsonaro, outras alternativas estudadas são o ingresso no Republicanos (que antes se chamava PRB) ou a criação de uma legenda.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Chico Alves