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Chico Alves


Como fica o PSL com a saída de Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro  - Walterson Rosa/Folhapress
Presidente Jair Bolsonaro Imagem: Walterson Rosa/Folhapress
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

12/11/2019 04h00

Principal responsável por fazer do até pouco tempo desconhecido PSL um grande partido, o presidente Jair Bolsonaro deverá anunciar hoje o adeus à legenda. Termina assim uma disputa de meses com o presidente da sigla, Luciano Bivar, que fez a bancada rachar ao meio. Bolsonaristas e bivaristas têm opiniões distintas sobre como será o PSL a partir de agora. Para os aliados do presidente da República, a legenda encolhe muito. Entre os apoiadores de Bivar, há quem veja ganho com a saída de Bolsonaro, pois o discurso radical perde espaço.

"O PSL é o que é hoje por causa do Bolsonaro, isso é fato. Todos os deputados se elegeram inteiramente ou em boa parte devido ao sucesso que foi a eleição do então candidato em 2018", disse à coluna a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). "A legenda se apequena não só porque perde o presidente da República, mas também por conta de como esse 'casamento' acabou: sem atender ao pedido para implementar o compliance e a transparência das contas". A deputada acredita que a sigla não será nanica como antes, mas se tornará "só mais uma", o que para ela é uma pena: "Nós tínhamos a esperança de que conseguiríamos ajudar a reorganizar o país dentro do PSL".

No sentido inverso, o deputado Julian Lemos (PSL-PB) antevê que o partido vai se manter unido, liberal e conservador. "O PSL não vai acabar, não vai ficar fraco, pelo contrário. É uma casa muito confortável para os parlamentares que estão aqui, que são valorizados", acredita Lemos. Para ele, não haverá prejuízo para os assuntos propostos pelo Executivo. "A única unidade que temos é em relação às pautas do governo. Estamos alinhados visando a governabilidade", garante.

O grupo bolsonarista vai sair do PSL, mas pela lei só poderá efetivar a transferência quando o novo partido estiver em funcionamento. Enquanto isso, os dois lados vão ter que arranjar um jeito de conviver.

O deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) não tem meias palavras quanto ao futuro da sigla. "O PSL vai se tornar uma legenda morta, que ficará conhecida por ter traído o presidente", resume. Na sua avaliação, ficará apenas quem está interessado em fundo partidário, quem não é tão ideológico. "Nós vamos fundar um partido novo, sem fundo partidário e sem tempo de televisão, mas com a chancela do presidente Bolsonaro, o maior cabo eleitoral, que fez o PSL crescer", explica Jordy. Em meio à divisão, imagina que bolsonaristas e bivaristas terão convivência institucional. "Alguns que tinham relação de amizade anterior vão manter o diálogo, mas há outros com quem a gente não vai conseguir nem falar", diz.

"O partido fica menos radical", avalia o deputado Júnior Bozella (PSL-SP), diante da eminente saída do presidente. "Vamos continuar de direita, mas não somos extremistas. Defendemos o diálogo, somos diferentes do Bolsonaro". Bozella acredita que ala que fica é mais ponderada, madura e quer se tornar uma opção de direita inteligente. Para o deputado, não vai haver problemas de relacionamento com os bolsonaristas que vão permanecer, mesmo que o líder na Câmara seja Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). "Temos regras, estatutos e uma executiva nacional para punir quem não seguir o que está escrito".

Chico Alves