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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pesquisa confirma que Sergio Moro até agora é fiasco como presidenciável

O ex-ministro Sergio Moro - Adriano Machado/Reuters
O ex-ministro Sergio Moro Imagem: Adriano Machado/Reuters
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

13/01/2022 15h20

Quando se filiou ao Podemos, em novembro, a expectativa dos apoiadores era de que Sergio Moro iria arrasar como presidenciável. A cerimônia de ingresso no partido teve grande cobertura da imprensa e vídeo no telão que o descrevia como o homem certo para salvar a nação. Tudo em estilo heroico, como é característico do lavajatismo.

Dois meses depois, a pesquisa Genial/Quaest de intenção de votos confirma a impressão geral de que a pré-campanha do ex-juiz é um fiasco.

Moro aparece no último levantamento com 9%, um ponto abaixo da pesquisa passada. Possíveis aliados do União Brasil e do Cidadania esperavam que ele continuasse com dois dígitos, a caminho dos 15% - o número mágico imaginado para que a candidatura seja considerada viável. Deu ruim.

Há outros números na pesquisa que devem ter deixado os moristas preocupados. No questionário de resposta espontânea, o ex-juiz aparece apenas com 1% das citações, empatado com Ciro Gomes e atrás de Bolsonaro (16%) e Lula (27%). No quesito rejeição, 59% dos pesquisados responderam que não votariam em Moro de jeito nenhum (entre os principais pré-candidatos, só é menos rejeitado que Jair Bolsonaro e João Doria).

Para arrematar, nem mesmo a fama de paladino da luta anticorrupção, disseminada durante anos na imprensa, está ajudando. Entre os eleitores que acham que o combate às maracutaias é o principal tema da eleição, só 10% escolhem Moro como principal candidato. Bolsonaro (36%) e Lula (32%) dividem a preferência desse público.

O péssimo desempenho na pesquisa é reflexo do que se vê na pré-campanha de Moro, que circula o país fazendo palestras com entradas pagas e dando entrevistas a emissoras de rádios regionais.

Nessas viagens, volta e meia ele se depara com protestos de petistas e bolsonaristas que, cada grupo com seus motivos, o chamam de "traidor" e "juiz ladrão".

Apesar do esforço dos fonoaudiólogos e do media training, Moro continua muito ruim de vídeo. Sua performance à frente da câmera é tão fraca que o concorrente direto, Ciro Gomes (PDT), passou a usar trechos de entrevistas do ex-juiz nas redes sociais para desqualificá-lo. O pré-candidato do Podemos é a antipropaganda em pessoa.

Além da forma, o conteúdo é praticamente inexistente. Apesar de dizer a toda hora que a campanha presidencial deve ser construída em torno de um projeto - essa é a palavra mais repetida -, Moro ainda não apresentou o seu.

A nove meses da eleição, ele cita nas entrevistas problemas óbvios do Brasil, como inflação, desemprego e fome, sem dizer de forma clara o que fará para combatê-los. Propostas tipo a força-tarefa para acabar com a pobreza beiram o risível.

Falta muito tempo para a votação e nada está decidido. Mas para dar a volta por cima e passar a ter chance real na eleição a presidente, Moro precisa entender que a euforia do lavajatismo se dissipou.

Os eleitores vão exigir dele muito mais do que o círculo de jornalistas e procuradores que inflavam sua vaidade quando era juiz em Curitiba.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL