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Chico Alves

REPORTAGEM

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Santos Cruz confirma reunião citada por Weintraub, mas diz não lembrar data

Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

17/01/2022 20h44

O general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz confirmou à coluna que participou de uma reunião da equipe de governo de Jair Bolsonaro em que o presidente eleito comentou que seu filho Flávio Bolsonaro era alvo de investigação por prática da chamada rachadinha. O encontro foi relatado pelo ex-ministro Abraham Weintraub, em entrevista ao podcast Inteligência Limitada, como tendo ocorrido em novembro de 2018. Como a informação sobre a investigação só se tornou pública no mês seguinte, isso configura acesso a informação privilegiada.

Apesar da confirmação sobre o teor da reunião, Santos Cruz diz que não se lembra da data em que ela ocorreu.

"Foi uma reunião no período de transição ou já bem no início do governo. Se não me engano foi na Granja do Torto", disse Santos Cruz. "Era uma reunião para assuntos gerais e não para tratar da divulgação do problema do Flávio Bolsonaro. Reunião de trabalho normal. Estavam todos os ministros ou quase todos. E o presidente falou do problema do filho, que eu penso tinha acabado de se tornar público. E ele falou isso que o Weintraub falou".

"Eu lembro que foi na Granja do Torto. O presidente morou lá por um tempo, pois eu acho que o Palácio da Alvorada estava com alguma obra", complementou o general. Na verdade, a mudança de Bolsonaro para o Alvorada foi feita no dia 4 de janeiro.

"Penso que o presidente comentou porque estava saindo na mídia naquele dia de manhã. Essa é a minha percepção. Não vejo nenhum vazamento antecipado", disse Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro.

Na entrevista, Weintraub contou que Bolsonaro comentou que tinha surgido uma acusação contra Flávio. "O governo não tem nada a ver com ele. Se ele cometeu alguma coisa errada, ele que vai pagar por isso. Eu pensei: 'Putz, eu vim para o lugar certo. Era isso que eu queria escutar'", relatou o ex-ministro da Educação.

A coluna perguntou a Santos Cruz se Bolsonaro teve a isenção que prometeu naquela reunião. O general riu e comentou apenas: "Aí é outra coisa".