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Chico Alves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Brasil teve 62 mortes de camponeses na Amazônia desde 2020, mostra pesquisa

Polícia realiza operação contra o narcotráfico na Amazônia colombiana - Jhon Paz/Xinhua
Polícia realiza operação contra o narcotráfico na Amazônia colombiana Imagem: Jhon Paz/Xinhua
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

30/07/2022 15h00

Doze entidades de cinco países voltadas para a defesa dos povos da Amazônia divulgaram hoje levantamento sobre assassinatos de camponeses na região, de 2020 até este ano. No Brasil, 62 camponesas e camponeses foram mortos em estados amazônicos nesse período. Segundo o documento, intitulado "Assassinatos na Pan-Amazônia", a atuação violenta de grileiros, fazendeiros e garimpeiros é considerada a causa da maioria das mortes.

Do lado brasileiro, participaram do levantamento a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Terra e Território na Amazônia (Gruter) da Universidade Federal do Amapá e o Observatório da Democracia, Direitos Humanos e Políticas Públicas. Também atuaram instituições da Colômbia, Bolívia, Equador e Peru. O lançamento da pesquisa ocorre durante a programação do X Fórum Social Pan-Amazônico, realizado em Belém, no Pará, até amanhã.

As mortes na Amazônia de 2020 a 2022 representam 80% dos registros de assassinatos no campo em todo o Brasil.

No primeiro ano pesquisado, foram 15 mortes e no segundo, 29. Em 2022, até o dia 7 de julho, ocorreram 18 assassinatos.

Os estados de Maranhão e Rondônia registraram igualmente 16 assassinatos, seguidos por Amazonas, com nove; Pará, com oito; Roraima, com sete; Tocantins, três; Mato Grosso, dois e uma morte no Acre.

"Todos estes casos nos mostram que os assassinatos na Amazônia não são fatos isolados de violência, senão consequências a agressões cada vez mais intensas do crime organizado, que associam interesses militares, empresariais, do tráfico aos saqueadores dos recursos naturais", diz o documento. "A expropriação do campo e a sanha pela renda da terra dos grandes grupos de latifundiários e empresas exploradoras que por meio da privatização da natureza com objetivo de lucrar geram a morte da sociedade em consequência da morte da natureza".

Treze mortes são atribuídas à atuação violenta da polícia no Amazonas, Tocantins e Rondônia.

Nos cinco países da Amazônia, houve 220 assassinatos de camponeses desde 2020. O maior número foi registrado na Colômbia, que teve 120 casos. Peru teve 18 mortes. Equador e Bolívia tiveram um caso. Os países constituem juntos, mais de 85% do território da bacia amazônica.