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Constança Rezende


Em áudio, Queiroz xinga promotores e diz que investigação "até demorou"

Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

28/10/2019 16h13

Em novo áudio, Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), xinga promotores do Ministério Público do Rio e diz que a investigação sobre o seu caso "até demorou".

A gravação foi obtida pelo UOL

Ele se refere ao inquérito aberto a partir do relatório do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), hoje Unidade de Inteligência Financeira (UIF), que identificou "movimentações atípicas" em sua conta, no valor de R$ 1,2 milhão.

"Esses depoimentos, cara, eles vão lá e pegam mesmo, esses filhos da puta, rapaz. Até demorou a pegar. O Agostinho foi depor no dia 11 de fevereiro, de janeiro, parece que ele foi depor. Já publicaram o depoimento dele na íntegra", disse.

Agostinho, a quem Queiroz se refere, é Agostinho Moraes da Silva, ex-funcionário do gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e a única testemunha a depor no caso. Agostinho disse ao Ministério Público do Rio, no dia 11 de janeiro, que depositava dois terços do salário na conta de Queiroz- cerca de R$ 4 mil.

O áudio de Queiroz foi repassado por um interlocutor, no dia 21 de fevereiro deste ano, por meio do aplicativo WhatsApp. A fonte que enviou a gravação à reportagem pediu para não ter o nome revelado.

No mesmo dia, Queiroz também disse, por meio de mensagem de texto, que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tinha que agir com firmeza e colocar só general no governo. "Pena que essa pika (sic) que caiu em mim, pois não dá nem pra falar nada", lamentou.

A apuração do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre as movimentações de Queiroz foi paralisada no dia 15 de julho, depois de uma decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal).

Toffoli acolheu um pedido da defesa de Flávio Bolsonaro contra o compartilhamento de dados por órgãos de controle sem autorização judicial prévia. Como efeito cascata, a decisão liminar (provisória) de Toffoli levou à paralisação de 700 investigações e ações penais, segundo levantamento do MPF (Ministério Público Federal).

A defesa de Queiroz afirmou que o policial aposentado estava se referindo a jornalistas no áudio. A mensagem foi repassada ao interlocutor antes da divulgação do depoimento de Agostinho pela imprensa.

"A defesa técnica de Fabrício Queiroz esclarece que a única conclusão possível para o áudio obtido de forma clandestina e ilegal e que os xingamentos em tom de desabafo informal ali contidos se referem aos jornalistas e não aos promotores, como é sugerido de forma leviana e irresponsável. A defesa técnica de Fabrício Queiroz reitera que ele guarda absoluto respeito aos integrantes de tão importante instituição, até mesmo porque sempre integrou as forças de segurança com observância às leis e a ética".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.