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Morcego, vitamina C, 5G: boatos sobre coronavírus devem piorar no Brasil

7.fev.2020 - Agentes de saúde medem a temperatura de morador na cidade de Taojiazhen, no sudoeste da China, em meio à epidemia do novo coronavírus - Liu Chan/Xinhua
7.fev.2020 - Agentes de saúde medem a temperatura de morador na cidade de Taojiazhen, no sudoeste da China, em meio à epidemia do novo coronavírus Imagem: Liu Chan/Xinhua
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

11/02/2020 04h00

Mensagens que circulam nas redes sociais informam que manter a garganta úmida, evitar o consumo de alimentos fritos e ingerir vitamina C podem prevenir o coronavírus. Outras dizem que o vírus foi criado em um laboratório e que o fundador da Microsoft, Bill Gates, foi o seu financiador. Também há vídeos que apontam "sopas de morcego" como a origem da contaminação.

Todas essas mensagens são falsas, mas têm disseminado e preocupado autoridades a nível global. Para isso, um grupo de 90 checadores de 30 países criou uma força-tarefa para verificar o que circula nas redes sobre a doença. O projeto #CoronaVirusFacts, coordenado pela International Fact-Checking Network, já fez 332 checagens sobre o vírus. Deste número, só 6 mensagens foram consideradas verdadeiras.

A aliança já informou, por exemplo, que água sanitária não cura a doença e que não há (até o momento) qualquer relação científica entre morcegos e o coronavírus. Também desmentiu dados, como o balanço de que já são 25 mil mortos pela doença, ou vídeos de pessoas desmaiando pelas ruas que nem sequer foram filmados na China.

O trabalho é liderado pela brasileira a jornalista Cristina Tardáguila, diretora-adjunta da IFCN (Rede Internacional de Fact-Checking) e fundadora da Agência Lupa. Segundo ela, que mora nos Estados Unidos, a participação de checadores brasileiros dentro da aliança cresceu ao longo dos últimos dias, o que mostra que a onda de desinformação já aterrissa em território nacional.

"O Brasil tem que estar pronto não só para a possibilidade de ter que conviver com o vírus, mas também para a onda de desinformação que se aproxima" afirma.

Até ontem, o Ministério da Saúde informou que o Brasil permanece sem registro do novo coronavírus. Há sete pessoas que se enquadram na definição de caso suspeito — uma no Rio de Janeiro, três em São Paulo, uma no Paraná e um no Rio Grande do Sul.

Pode parecer óbvio que o coronavírus não é ativado pela tecnologia 5G, ou que é espalhado através de bananas, mas milhares de pessoas mundo afora já acreditaram nessas 'notícias'
Cristina Tardáguila, diretora-adjunta da IFCN (Rede Internacional de Fact-Checking)

O governo federal também criou um canal para combater as Fake News, por um número de whatsApp (61 99289-4640) pelo qual o cidadão pode enviar mensagens recebidas nas redes sociais para o governo confirmar se a informação procede.

"O canal não será um SAC ou tira dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais, que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira", informou o ministério.

Até a tarde de ontem, a China já havia registrado 910 mortos no país pelo coronavírus. Apenas no domingo, as autoridades chinesas reportaram 97 mortes. Há cerca de 40 mil confirmações da infecção em diversos países.