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Constança Rezende


PGR, Lava Jato e associação silenciam sobre vídeo enviado por Bolsonaro

Procurador-geral da República, Augusto Aras, durante cerimônia em Brasília -
Procurador-geral da República, Augusto Aras, durante cerimônia em Brasília
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

26/02/2020 17h52

O procurador-geral da República, Augusto Aras, a Força-Tarefa da Lava Jato em Curitiba e a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) decidiram não se pronunciar sobre o vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A mensagem enviada pelo presidente, que traz apoio às manifestações marcadas para o dia 15 de março contra o Congresso Nacional e o STF (Supremo Tribunal Federal), foi criticada por ministros da Corte e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A assessoria de Aras respondeu ao UOL que o procurador não irá falar sobre o assunto. A Força-Tarefa enviou a mesma resposta de que não irá se pronunciar. A assessoria da ANPR também respondeu que a instituição optou por não comentar o caso, depois de analisar a questão.

Nos bastidores do MPF, comenta-se que o silêncio de Aras já era esperado, pois ele não costuma entrar em confronto com declarações polêmicas de Bolsonaro e sua família. Já a ANPR teria optado por observar as reações de outras instituições.

Alguns procuradores manifestaram-se individualmente pelas redes, como a subprocuradora-geral Luiza Frischeisen. Ela escreveu que "defender o regime democrático é função institucional do Ministério Público". "O congresso tem votos de tod@s e o Judiciário é fundamental e sem democracia não tem combate à corrupção, tem perseguição", disse.

A mensagem foi compartilhada pela procuradora Jerusa Viecili, ex-integrante da Força-Tarefa da Lava Jato, em Curitiba. Sem fazer referência direta ao caso, o secretário de Direitos Humanos da PGR, Ailton Benedito, que é alinhado às pautas de Bolsonaro, disse que "críticas a agentes públicos, por seus atos, devem ser compreendidas como exercício da democracia".