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Constança Rezende

Nos bastidores do Roda Viva, Bebianno admite medo de falar tudo o que sabe

Bebianno diz temer uma possível "ruptura insitucional" - Reprodução/TV Cultura
Bebianno diz temer uma possível "ruptura insitucional" Imagem: Reprodução/TV Cultura
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

03/03/2020 15h36

Nos intervalos de sua entrevista ao programa Roda Viva de ontem, o ex-secretário geral da presidência, Gustavo Bebianno, relatou ter medo de falar tudo o que sabe sobre os atos que envolvem o presidente Jair Bolsonaro. Ao ser pressionado por jornalistas, fora do ar, respondeu: "Está vendo aquele ali (apontando para o seu filho)? É o meu único segurança", disse.

O jovem era o único na plateia de convidados de Bebianno. O ex-aliado do presidente foi chamado às pressas para participar do programa, após o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, desistir de ser sabatinado.

O relato sobre o medo foi feito após os jornalistas insistirem para que Bebianno falasse quem seria o delegado da Polícia Federal que teria participado da tentativa de montagem de uma Agência Brasileira de Inteligência (Abin) paralela no governo.

Com as câmeras ligadas, ele disse apenas que se lembrava do delegado, mas que não revelaria o seu nome "por uma questão institucional e pessoal".

No mesmo contexto, Bebianno não quis se alongar quando questionado sobre a compra de duas vans de transporte de passageiros por Bolsonaro - uma delas foi dada a um amigo do ex-policial militar Fabrício Queiroz, apontado no suposto esquema de rachadinha do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Já para falar sobre seus planos na política, o ex-aliado do presidente demonstrou ansiedade. Bebianno chegou a sugerir aos jornalistas, em um dos intervalos, que lhe perguntassem sobre os seus "projetos futuros".

Fora do ar, ele disse que desejar concorrer à prefeitura do Rio. A candidatura não seria pelo PSDB, partido pelo qual hoje ele é filiado. Ele admitiu ter tratado do assunto com o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), outro ex-aliado e atual desafeto do presidente.

"Você trocou o atual prefeito pelo próximo", brincou Bebianno com a jornalista Vera Magalhães, apresentadora do programa.

Vera também confessou não ter disposição para chamar Crivella para o programa por uma terceira vez. O prefeito alegou problemas decorridos com as enchentes que atingiram a cidade, ontem.

Bebianno demonstrou vontade de falar sobre a falta de uma postura mais forte do governo contra o motim de policiais militares do Ceará. Antes de ser questionado sobre o assunto, ele acabou falando o que achava, em uma pergunta não relacionada ao tema.

"Esse é o risco real e iminente para o nosso país. Isso é gravíssimo. Vocês, jornalistas, precisam investigar esse o cursinho do senhor Olavo de Carvalho para as polícias militares", disse.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.