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Joice representa contra Zambelli por suposto vazamento de operação da PF

8.out.2019 - A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) durante sessão para deliberar projetos de lei do Congresso - Luis Macedo/Câmara dos Deputados
8.out.2019 - A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) durante sessão para deliberar projetos de lei do Congresso Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

26/05/2020 22h39

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) entrou nesta terça-feira (26) com uma representação no MPF (Ministério Público Federal) contra a sua antiga aliada e amiga, Carla Zambelli (PSL-SP).

Joice pede que o órgão abra um procedimento para investigar se Carla teve acesso antecipadamente à Operação Placebo, deflagrada nesta manhã, pela Polícia Federal.

A ação teve como foco possíveis desvios de recursos públicos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus que seriam ligados ao governador do Rio, Wilson Witzel, e sua mulher, Helena.

No pedido, Joice disse ser "absolutamente lamentável que tais informações tenham sido vazadas à parlamentar aliada ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em dia anterior à operação".

Em entrevista ontem, Carla disse que governadores poderiam ser alvo de operações da PF. "A gente já teve operações da Polícia Federal que estavam na agulha para sair, mas não saíam. E a gente deve ter nos próximos meses o que a gente vai chamar talvez de Covidão, ou de, não sei qual é o nome que eles vão dar, mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal", afirmou.

No pedido, Joice argumentou que, embora Carla não tenha citado nomes, o ocorrido "demonstra cabalmente acesso a informações privilegiadas sobre a operação da Polícia Federal, dado a sua proximidade com os delegados da entidade".

A deputada também declarou que o Witzel "é reconhecidamente um dos principais 'desafetos' do presidente da República e de alguns de seus aliados, em especial Zambelli". Ela ainda citou a reunião interministerial do dia 22 de abril, em que Bolsonaro xingou de "estrume" o governador do Rio.

"Importante salientar que a operação policial acontece após a saída do ex-ministro Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por razões e evidências que apontavam interferência do presidente Bolsonaro em investigações da Polícia Federal no Rio de Janeiro, culminando, posteriormente, na troca tanto do comando da Polícia Federal quanto da própria Superintendência do Rio de Janeiro", disse.

A colega de Carla na Câmara dos Deputados ainda afirmou ser "indiscutível, com lastro no próprio reconhecimento da entidade representativa dos policiais federais acerca da proximidade de Zambelli com os delegados de Polícia Federal".

Ela pede que a colega seja investigada pelos crimes de violação de sigilo funcional, "por revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação". A pena para este crime é de detenção de seis meses a dois anos, ou multa.

Carla Zambelli declarou que não acredita e não tem conhecimento de vazamentos na Polícia Federal. "E se eu soubesse de vazamento, eu ficaria quieta, não daria entrevista a uma rádio". "Vendo a repercussão negativa disso, hoje talvez eu não tivesse dito", alegou.