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Diogo Schelp

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mudança em Curitiba é o começo do fim inevitável da Lava Jato

Equipe da Polícia Federal durante 72ª fase da Operação Lava Jato  - Divulgação
Equipe da Polícia Federal durante 72ª fase da Operação Lava Jato Imagem: Divulgação
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

03/02/2021 16h09

A dissolvição da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba (PR), onde começaram, há quase sete anos, as investigações que revelaram o maior esquema de corrupção da história do país, é o começo de um fim inevitável.

Com a mudança, haverá um número menor de procuradores dedicados exclusivamente aos casos ainda em andamento da Lava Jato. Cinco procuradores passam a integrar o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e continuarão trabalhando integralmente nos desdobramentos da Lava Jato.

Outros dez vão dar continuidade aos inquéritos que já estão tocando, mas não terão mais dedicação exclusiva e precisarão se dedicar também a outros casos, sem relação com Lava Jato.

A coluna conversou com integrante da Lava Jato no MPF de São Paulo que fez a seguinte avaliação: essa otimização da mão de obra dos procuradores em Curitiba faz sentido porque a parte mais pesada da Lava Jato, o grosso dos inquéritos, já passou. Os casos mais complexos e com maiores valores envolvidos foram os primeiros a serem investigados. Ainda existem irregularidades e pessoas para serem processadas, mas os maiores esquemas já foram descobertos.

A ideia de que a Lava Jato poderia durar indefinidamente está ancorada no uso político que Jair Bolsonaro, então candidato a presidente, fez da operação.

O discurso de campanha Bolsonaro era o de fortalecimento da Operação Lava Jato, mas, uma vez no governo, isso rapidamente deixou de ser prioridade.

Ao contrário, nenhum esforço foi feito nesse sentido.

Resta reconhecer as conquistas da Lava Jato, que recuperou bilhões de reais em dinheiro desviado e levou à prisão alguns dos políticos e empresários mais poderosos do país, e pressionar por mudanças no sistema político brasileiro que evitem o surgimento de grandes esquemas de corrupção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL