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Diogo Schelp

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ataques homofóbicos escancaram caráter iliberal do bolsonarismo

30.set.2021 - Empresário Otávio Oscar Fakhoury, apontado como financiador de disseminação de notícias falsas, é ouvido pela CPI da Covid, no Senado. - Leopoldo Silva/Agência Senado
30.set.2021 - Empresário Otávio Oscar Fakhoury, apontado como financiador de disseminação de notícias falsas, é ouvido pela CPI da Covid, no Senado. Imagem: Leopoldo Silva/Agência Senado
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

30/09/2021 15h54

O empresário Otávio Oscar Fakhoury, cujos tuítes homofóbicos contra senadores foram expostos durante o seu depoimento à CPI da Covid, nesta quinta-feira (30), não é a única personalidade bolsonarista a produzir, reiteradamente, discurso de ódio e de intolerância à orientação sexual de outras pessoas.

Basta acompanhar as postagens dos filhos do presidente Jair Bolsonaro — ou diversos comentários públicos do próprio. A homofobia é uma tática frequente usada por eles para atacar adversários políticos.

Bolsonaro e influenciadores do bolsonarismo, mesmo aqueles que se identificam mais como conservadores do que como liberais, enchem a boca e abusam de tuítes para defender as "liberdades individuais".

Reclamam quando se tenta impedir a disseminação de fake news por ferir sua liberdade.

Reclamam de não poderem comprar armas sem limites porque isso viola sua liberdade.

Reclamam que não podem pedir intervenção militar e o fechamento do STF porque vai contra sua liberdade.

Reclamam que precisam usar máscara e tomar vacina para entrar em determinados lugares porque isso atenta contra sua liberdade.

Em seu recente discurso na ONU, Bolsonaro disse: "No último 7 de setembro, data de nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história, mostrar que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao nosso governo."

E, em outro trecho, defendeu, no mesmo parágrafo, a liberdade de culto, a liberdade de expressão e a "família tradicional".

Bolsonaro e apoiadores como Fakhoury se dizem paladinos da liberdade, mas são incapazes de respeitar a orientação sexual de outras pessoas — uma liberdade que pensadores liberais clássicos de dois séculos atrás já defendiam.

Eis a grande mentira do bolsonarismo: a de que protege a qualquer custo as liberdades individuais. Só as defende de maneira seletiva, quando lhe é conveniente e para escamotear sua agenda socialmente retrógrada.

Nada mais distante do liberalismo do que o bolsonarismo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL