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Diogo Schelp

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro aposta em ideia de Temer para regular preço de combustíveis

Encontro entre Temer e Bolsonaro  - Wilson Dias/Agência Brasil
Encontro entre Temer e Bolsonaro Imagem: Wilson Dias/Agência Brasil
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

01/10/2021 15h01

Em sua live semanal nas redes sociais, nesta quinta-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro defendeu uma solução para conter a alta no preço dos combustíveis que nasceu durante o governo do ex-presidente Michel Temer, durante a greve de caminhoneiros de 2018: repassar uma parte dos dividendos pagos pela Petrobras aos seus acionistas para um fundo, cuja finalidade seria subsidiar o custo na bomba para os consumidores.

Temer — que nas últimas semanas retornou com força ao debate público depois de socorrer Bolsonaro no pior momento da crise política, após os discursos antidemocráticos de 7 de setembro — vem concedendo muitas entrevistas para analisar o cenário nacional e apresentar suas ideias para os desafios que o país vem enfrentando. Entre elas, recuperar a proposta de criar um fundo, bancado pelos dividendos da Petrobras, para regular os preços dos combustíveis.

Em entrevista à rádio Bandeirantes na segunda-feira (27), por exemplo, Temer fez uma defesa enfática dessa solução. "Se houvesse esse fundo, seria um sacrifício na verdade para os acionistas do setor privado, mas evitaria esses aborrecimentos que normalmente (acontecem quando há) um aumento do combustível", disse Temer.

Na sugestão do ex-presidente, o fundo seria composto por dividendos pagos tanto à União, que é a maior acionista da Petrobras, quanto aos acionistas privados.

Dois dias depois, na quarta-feira (29), o secretário da Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, que foi ministro da Fazenda no governo Temer, também defendeu a ideia do fundo regulador. "A Petrobras já tem um lucro extraordinário, que distribui não só para o acionista governo federal, mas para os acionistas privados. Se queremos controlar o preço da gasolina, é muito simples: diminuir a margem de lucro da Petrobras, que já está com o lucro extraordinário. É só diminuir um pouquinho a remuneração do governo federal e dos acionistas privados", disse Meirelles.

Em agosto, a Petrobras anunciou o pagamento antecipado de 31,6 bilhões de reais em dividendos aos seus acionistas.

Bolsonaro, porém, não parece disposto a adotar a ideia do seu antecessor na íntegra. Na live, ele cogitou apenas direcionar para um fundo parte dos lucros da Petrobras que cabem à União.

"(O lucro) que vem para o governo federal, para nós, ninguém vai meter a mão em nada... Será que esse dinheiro da Petrobras que vem para nós — será, estou perguntando, não estou afirmando — que é lucro bilionário, nós não podemos converter para esse fundo regulador?", sugeriu Bolsonaro.

No início do ano, quando Bolsonaro trocou o presidente da Petrobras justamente por causa da política de precificação dos combustíveis, o governo chegou a aventar a hipótese de criar um fundo com royalties da exploração de petróleo para subsidiar o custo para os consumidores.

A ideia retorna agora mais parecida com o formato sugerido por Temer, cuja influência sobre Bolsonaro torna-se cada vez mais evidente — ainda que ambos procurem minimizá-la.