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Felipe Moura Brasil

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Resumo da corrida presidencial

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Felipe Moura Brasil

Felipe Moura Brasil é âncora da BandNews FM e colunista do UOL. Vencedor do Prêmio Comunique-se na categoria Jornalista Influenciador Digital. Maior influenciador político do Brasil no Twitter, de acordo com estudo da empresa de big data Stilingue. Trabalhou nas revistas Veja e Crusoé, no site O Antagonista e na rádio Jovem Pan, onde também foi diretor de Jornalismo. Reúne suas várias frentes de trabalho em www.felipemourabrasil.com.

Colunista do UOL

17/12/2021 21h06

As altas intenções de voto em Lula refletem a soma da sua base fiel com o segmento do eleitorado que enxerga nele a única opção capaz de derrotar Jair Bolsonaro, seja por desconhecer outras, seja por desacreditar no potencial delas.

Lula prefere Bolsonaro presente na disputa, com um desgaste suficiente para render mais votos à sua chapa, mas não tanto a ponto de permitir a chegada da terceira via ao segundo turno, com um candidato menos rejeitado que o petista.

Por isso, Lula sabotou o impeachment de Bolsonaro e não impediu correligionários de votarem a favor da PEC do Calote, que garante ao atual presidente mais verbas em ano eleitoral, em razão do adiamento do pagamento dos precatórios.

Tanto o convite de Lula a Geraldo Alckmin para ser vice quanto sua defesa de Ciro Gomes contra uma operação de busca da Polícia Federal mostram, por outro lado, a inclinação do petista ao suposto centro, para conseguir, respectivamente, pontuar melhor em São Paulo, onde o PT vem acumulando derrotas, e recuperar esquerdistas desiludidos com o partido, que preferem votar no eterno candidato do PDT no primeiro turno, embora 40% deles tenham Lula como segunda opção.

A terceira via estabeleceu para si um prazo, que varia de março a julho de 2022, para decidir quem seguirá na cabeça de chapa, quem irá compor a chapa alheia e quem estará livre para escolher as alianças estaduais convenientes. Até lá, Sergio Moro (Podemos), João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB) buscam ficar à frente do estagnado Ciro nas pesquisas - o que só Moro conseguiu em 2021 - e ainda se aproximar de Bolsonaro, reunindo capital político para fechar alianças maiores.

Em busca de verbas eleitorais e capilaridade nacional, o Podemos negocia o apoio da União Brasil ao ex-juiz em troca do posto de vice, conforme antecipado nesta coluna. Já no MDB, Moro conversou com Michel Temer, o mais cordial membro da ala anti-Lava Jato do partido; e Pedro Simon, que defende Tebet como vice em sua chapa ou vice-versa, apesar da resistência dos alvos da força-tarefa.

A divulgação de pesquisas em que Moro voltou a aparecer com um dígito acendeu alertas sobre a eficácia de sua campanha, conquanto poucos tenham notado que elas não foram feitas pelos mesmos institutos que deram dois dígitos ao ex-juiz. Moro, na verdade, subiu na CNT de 5,9% em julho para 8,9% em dezembro e estreou no Datafolha com 9%, numericamente à frente de Ciro (7) e Doria (4).

É preciso esperar levantamentos consecutivos de cada instituto para analisar tendências, mas, com o país sempre entorpecido entre as festas de fim de ano e o carnaval, a atenção dos brasileiros à corrida presidencial deverá transcender a bolha dos engajados somente em março, quando então os pré-candidatos terão um prazo curto para encaixar o discurso e se descolar dos demais, ou colar neles.

Embora aposte na manutenção da base reacionária e na compra de votos com benesses, o próprio Bolsonaro corre o risco de perder apoio dentro do seu partido, o PL do mensaleiro Valdemar Costa Neto, se não mostrar viabilidade até o segundo trimestre de 2022, já que a prioridade dos autoproclamados liberais é aumentar a bancada parlamentar para obter acesso a fatias mais robustas de fundos públicos.

Mas, assim como o presidente reforçou o discurso de Lula atacando a Lava Jato, Lula estará pronto para dar uma mãozinha quando Bolsonaro precisar.