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Jamil Chade


OMS diz que é cedo demais para declarar emergência global por coronavirus

Decisão de não declarar emergência favorece China e causa racha no comitê da ONU - Jamil Chade/UOL
Decisão de não declarar emergência favorece China e causa racha no comitê da ONU Imagem: Jamil Chade/UOL
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

23/01/2020 15h25

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o coronavírus ainda não deve ser considerado como uma emergência sanitária global, o que exigiria estabelecer medidas de urgência para tentar frear a proliferação da doença que supostamente teve sua origem na China.

Depois de uma reunião de emergência nesta quinta-feira, em Genebra, a agência mundial de Saúde considerou que a situação não preenche exigências e que o governo de Pequim está agindo de forma correta.

A decisão, porém, foi marcada por um racha dentro do comitê de especialistas convocados pela OMS. Uma parcela dos técnicos insistia que a emergência deveria ser declarada. Mas prevaleceu a ideia de que, como não há transmissão entre humanos fora da China, não seria o caso de declarar a emergência de forma imediata.

Por enquanto, porém, a agência apenas pede que haja um controle nos aeroportos e que todos os governos atuem para identificar casos. A OMS ainda insiste que, ao tomar a decisão, a mensagem não deve ser interpretada de que a situação não seja séria.

O vírus surgiu na China, afetando cerca de 630 pessoas e deixando pelo menos 18 mortos. Mas o que mais assustou a OMC é que o coronavírus, da mesma família do vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, sigla em inglês), já foi identificado na Cingapura, Vietnã, Tailândia, Japão e Coreia do Sul. Pela primeira vez, um caso também foi identificado fora de Hebei, a província onde seria o epicentro do surto.

Os Estados Unidos confirmaram o primeiro caso no país, um homem que chegou a Seattle no dia 15 de janeiro, procedente da China.

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Na China, o principal foco da doença é a cidade chinesa de Wuhan, onde as autoridades intensificaram os controles de febre no aeroporto, estações de trem e estradas. O governo ainda decretou uma quarentena na cidade, uma medida extrema de controle. A mesma estratégia foi adoptada em Huanggang e, no total, mais de 20 milhões de pessoas estão isoladas.

Outras cidades também passaram a adotar quarentenas parciais, com controles em determinadas regiões. Dezenas de aeroportos pelo mundo também passaram a adotar controles específicos para vôos chegando da China.

As autoridades chinesas indicaram que, para conter a doença que pode se espalhar no contato entre humanos, medidas de desinfecção estão sendo adotadas em aeroportos e estações de trem. A eclosão da nova doença ocorre diante da viagem de milhões de pessoas, por todo o país, para o feriadão do Ano Novo Lunar, esta semana. Em Pequim, parte das festividade foram suspensas.

Desde 2009, OMS declarou cinco emergências globais. Em 2009, o foco foi a pandemia de H1N1 e em 2014 o caso envolveu a polio. Naquele mesmo ano, o surto de Ebola também foi declarado uma emergência global. Em 2016, foi a vez da epidemia do Zika vírus e, no ano passado, uma vez mais o Ebola entrou na categoria.

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