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Jamil Chade


Governos planejam evacuação de cidadãos e suspendem transporte com China

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

28/01/2020 08h14

Japão, EUA, Índia, Alemanha, Coreia do Sul e França anunciam medidas para enviar aviões para retirar seus nacionais ou funcionários de consulados de regiões da China afetadas pelo coronavírus, enquanto países como Espanha, Holanda e outros avaliam medidas no mesmo sentido.

Já Hong Kong tomou a decisão de dificultar a viagem de seus cidadãos para o restante da China, na esperança de impedir que o surto desembarque na cidade. A partir de quinta-feira, trens e barcos entre Hong Kong e a China serão suspensos. Já o número de vôos será reduzido pela metade e autorizações para viagens pessoais não serão concedidas.

Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que está debatendo se existe a necessidade de uma evacuação de estrangeiros da China. Mas pede que governos não "exagerem na reação" diante do vírus.

Até agora, Pequim registrou 106 mortos e 4,4 mil casos confirmados. De acordo com a OMS, a taxa de mortalidade é baixa. "Mas ainda estamos no período de incubação do vírus, que pode chegar a 14 dias, e veremos mais casos", constatou um porta-voz da OMS, Christian Lindmeier. Hoje, 13 países já detectaram casos.

Segundo a OMS, o surto representa uma emergência na China. Mas não haveria ainda uma ampla transmissão entre pessoas fora do país asiático, o que seria o critério para justificar uma emergência global.

Para que isso ocorra, a entidade precisaria registrar uma proliferação internacional da doença. "Isso não há por enquanto. Mas temos que estar preparado se ocorrer. O cenário é incerto", disse o porta-voz.

Nas últimas horas, a agência mundial da Saúde vem se reunindo com os chineses para debater se existe ou não a necessidade de recomendar uma evacuação de estrangeiros na China. Mas a OMS também admite que governos têm o direito soberano de retirar seus nacionais.

Nesta terça-feira, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da ÒMS, esteve com com o chanceler chinês Wang Yi e com o próprio presidente Xi Jinping, um sinal da gravidade da crise.

A agência oficial chinesa, Xinhua, indicou que Tedros teria elogiado as medidas do governo de Pequim e que estaria "confiante" da capacidade da China em controlar a epidemia.

A mesma agência estatal afirmou que Tedros não está recomendando a evacuação de estrangeiros e pediu "calma" à comunidade internacional.

Em Genebra, a assessoria de imprensa da OMS hesitou em confirmar a notícia veiculada pelo governo chinês e apenas explicou que o chefe da entidade e o governo debateram "alternativas para evacuação".

O risco é de que, ao promover esse fluxo de pessoas, governos estariam importando de volta o vírus, sem saber. "Existe a chance de que alguns possam carregar vírus", disse a porta-voz da OMS.

Mas, ao mesmo tempo, ele indica que governos já estão falando sobre como controlar essas pessoas que poderão ser evacuadas e mesmo isola-las por algum tempo.

Incubação

De acordo com um informe publicado nesta terça-feira, a OMS estima que o período de incubação do vírus seja de dois a dez dias. Mas ela admite que ainda precisa de mais dados para ter uma avaliação completa e que o período poderia chegar a 14 dias.

"Entender o tempo em que um paciente infectado pode transmitir o vírus a outros é crítico para os esforços de controle", disse a OMS. Para que isso seja obtido, porém, novas informações epidemiológicas precisam ser obtidas. Em Genebra, a entidade estima que pouco se sabe ainda sobre o comportamento do vírus.

A OMS não descarta uma nova convocação de uma reunião de emergência para avaliar a possibilidade de declarar uma emergência global por conta do novo coronavírus. Mas garante que, no momento, não há um encontro marcado e que todos os especialistas estão sendo "permanentemente" informados.

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