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Jamil Chade


Após defender greve, Damares agora diz que ação de PMs não é permitida

Na ONU, ministra Damares Alves lança candidatura para órgão criticado por Bolsonaro - Jamil Chade/UOL
Na ONU, ministra Damares Alves lança candidatura para órgão criticado por Bolsonaro Imagem: Jamil Chade/UOL
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

25/02/2020 06h39

Um dia depois de dar seu apoio à greve dos Policiais Militares no Ceará, a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) usa as redes sociais para apresentar uma posição diferente ao que foi declarado. Na segunda-feira, em entrevista à coluna e que foi gravada, ela repetiu em diversas ocasiões ao ser questionada sobre a situação no Ceará que a greve era um "direito".

Nesta terça-feira, porém, ela usou as redes sociais para dizer que "apoia toda oportunidade que possam surgir dos estados reverem o fortalecimento de suas polícias, defendo o diálogo, mas a paralisação total das forças de segurança não é permitido por lei e coloca em risco a sociedade".

A Constituição proíbe greve de policiais militares. Entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2017 estendeu o veto a agentes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal e Corpo de Bombeiros.

Um dia antes, questionada se achava que a ação dos PMs era legítimo, ela respondeu: "direito à greve". "Todo mundo tem direito à greve. As categorias têm direito à greve", insistiu. "O que eu percebi é que os policiais no Ceará estão no limite", afirmou.

"Só que o direito à greve também respeite o direito à vida, o direito à proteção, o direito de ir e vir. Só isso que estou querendo que eles [PMs amotinados no Ceará] observem", declarou Damares.

"Direito à greve é direito garantido". Ao ser questionada novamente sobre o direito de policiais fazerem greve, a ministra respondeu: "Nós temos leis que regulam a greve no Brasil. Agora, as pessoas questionam, mas as forças de segurança têm direito à greve? Direito à greve é direito à greve", insistiu.

Na semana passada, um dos integrantes de seu ministério, Herbert Borges Paes de Barros, diretor de Proteção e Defesa de Direitos Humanos, havia sinalizado no mesmo sentido de Damares sobre os PMs.

Jamil Chade