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Jamil Chade


Desenvolvimento humano vai cair pela primeira vez em 30 anos, constata ONU

Mais da metade das mães solo vive abaixo da linha pobreza, revela Victória Damasceno - Sippanont Samchai/Flickr
Mais da metade das mães solo vive abaixo da linha pobreza, revela Victória Damasceno Imagem: Sippanont Samchai/Flickr
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

20/05/2020 09h19

O índice de desenvolvimento humano vai cair, em 2020, pela primeira vez em 30 anos, abalado pela pandemia do coronavírus. Os dados estão sendo publicados nesta quarta-feira pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud), que alerta que alguns dos indicadores sociais podem perder 40 anos de avanços.

Em 1990, a ONU decidiu que o PIB não poderia ser o único modelo para medir o desenvolvimento do planeta. Em seu lugar, foi criado o IDH, elaborado com dados de saúde, educação, social e receita.

Desde sua primeira publicação, a entidade viu uma melhora do índice a cada ano, ainda que de uma forma profundamente desigual no mundo. Agora, pela primeira vez, haverá uma deterioração nesse índice e os mais pobres serão os mais afetados.

Uma das estimativas do Banco Mundial é de que 60 milhões de pessoas serão jogadas à pobreza extrema. O FMI ainda fala da maior queda na economia mundial desde a Grande Depressão.

"O mundo tem visto muitas crises nos últimos 30 anos, incluindo a crise financeira global de 2007-09. Cada uma delas atingiu duramente o desenvolvimento humano, mas, em geral, vimos ganhos de desenvolvimento acumulados globalmente ano após ano", disse o Administrador do Pnud, Achim Steiner. "A covid-19- com seu triplo impacto na saúde, educação e renda - pode mudar esta tendência", alertou.

Em todos os países - ricos e pobres - e em todas as regiões, as quedas em áreas fundamentais do desenvolvimento humano estão sendo sentidas.

Uma das perspectivas é de uma queda da renda per capita global de 4%.60% das crianças no mundo não estão recebendo educação, um nível não visto desde os anos 80.

"O impacto combinado desses choques pode significar a maior inversão no desenvolvimento humano registrada", alertou o informe.

Além desses setores, a entidade estima que efeitos significativos serão sentidos no no progresso em direção à igualdade de gênero, saúde reprodutiva, trabalho não remunerado e violência de gênero.

"Espera-se que a queda no desenvolvimento humano seja muito maior nos países em desenvolvimento que são menos capazes de lidar com as conseqüências sociais e econômicas da pandemia do que as nações mais ricas", explicou a entidade.

"Na educação, com as escolas fechadas e as divisões no acesso ao aprendizado online, estimativas do PNUD mostram que 86% das crianças no ensino primário estão agora efetivamente fora da escola em países com baixo desenvolvimento humano - comparado com apenas 20% em países com desenvolvimento humano muito alto", afirmou.

"Esta crise mostra que se falharmos em trazer equidade para o conjunto de ferramentas políticas, muitos ficarão mais para trás. Isto é particularmente importante para as 'novas necessidades' do século XXI, como o acesso à Internet, que nos ajuda a beneficiar da tele-educação, da tele-medicina e a trabalhar a partir de casa", diz Pedro Conceição, um dos autores do informe.

Jamil Chade