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Jamil Chade


OMS descartou cloroquina de testes; análise é só com hidroxicloroquina

Os problemas daquele grande estudo sobre riscos da cloroquina para tratar COVID-19 - Crédito: David J. Phillip/AP
Os problemas daquele grande estudo sobre riscos da cloroquina para tratar COVID-19 Imagem: Crédito: David J. Phillip/AP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

05/06/2020 13h33

Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, afirmou que a cloroquina jamais foi incluída nos testes realizados pela entidade, em seu programa que envolve dezenas de hospitais pelo mundo.

A OMS iniciou uma avaliação sobre quatro potenciais remédios para o tratamento da covid-19. Ainda em abril, no momento de selecionar os produtos, porém, Soumya explicou que a opção foi por incluir a hidroxicloroquina. Segundo ela, testes iniciais deram uma certa vantagem ao produto, sobre a cloroquina.

"No início, ambas foram consideradas. Mas considerando eficiência, segurança e potencial de ter mais benefício, hidroxicloroquina foi selecionada", explicou. Segundo ela, o remédio parecia ter uma vantagem sobre a cloroquina e, por isso, os especialistas recomendaram apenas um produto.

Ainda que protocolos iniciais levassem o nome dos dois remédios, apenas um foi mantido. Os protocolos oficiais acabaram sendo logo modificados. "Nenhum país iniciou (testes) com a cloroquina", confirmou.

O remédio tem sido alvo de ampla polêmica. Há duas semanas, a agência de saúde decidiu suspender os testes com a hidroxicloroquina, depois que um estudo publicado na revista científica The Lancet revelou que o produto significaria um risco para a saúde.

Uma semana depois, diante de evidências de falhas graves no estudo, a revista retirou o texto do ar. No início desta semana, a OMS optou por voltar a realizar os testes com o remédio. Mas até agora não o incluiu entre os produtos recomendados, nem para tratamento e nem para prevenção. A agência insiste que, por enquanto, não existem evidências científicas que comprovem sua eficiência.

Nesta sexta-feira, pesquisadores de Oxford ainda publicaram os resultados iniciais de um novo estudo em que confirmam que a hidroxicloroquina não traz benefícios para evitar a mortalidade. O resultado foi alvo de uma reunião entre os especialistas no Reino Unido e a OMS.

Mas a agência de Saúde ainda vai esperar pelos dados de seu próprio estudo para tomar uma decisão definitiva. Soumya, porém, admitiu que os resultados de Oxford vão ser considerados na análise final.

Para ela, as idas e vindas em relação ao remédio é um "processo normal da ciência". Segundo ela, o atual ritmo de consideração não é o tradicional para o desenvolvimento e uso de um remédio. Mas indica que a cobertura diária da imprensa sobre o assunto pode confundir público leigo. "Por isso que precisamos de mais um teste. É normal ter vários testes", indicou.

Michael Ryan, chefe de operações da OMS, também negou que existam mensagens dúbias. "Esse é o processo normal da ciência, que podem parecer confusos", disse. "Pedimos desculpas por mensagem confusas, mas seguimos a ciência", afirmou.

Jamil Chade