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Jamil Chade


Cientista da OMS: já sabemos que hidroxicloroquina não reduz mortalidade

Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS - Divulgação/Ministério da Saúde e da Família da Índia
Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS Imagem: Divulgação/Ministério da Saúde e da Família da Índia
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

18/06/2020 06h49

Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, afirmou que os estudos já deixam claro que a hidroxicloroquina não traz benefícios para a redução de mortalidade para pessoas contaminadas pelo coronavírus e vivendo uma situação severa.

A questão agora que está sendo investigada é se existe algum tipo de benefício como prevenção. Exames estão sendo realizados e a OMS aguarda os resultados para recomendar ou não o remédio.

A cientista indicou que, de fato, a OMS decidiu que não irá continuar com os testes sobre a hydroxicloroquina, depois que ficou claro que não existiam benefícios para a queda de mortalidade. As pesquisas começaram em março, com 4 mil pacientes em 20 países diferentes.

Mas um primeiro sinal negativo veio do Reino Unido, com 11 mil pacientes e que indicou que não existem tais benefício. Segundo ela, a OMS comparou os dados britânicos com os seus e optou, finalmente, por suspender de forma definitiva. "Vimos que não havia benefício para mortalidade e decidimos que não há motivo para continuar", afirmou. "Isso já sabemos", insistiu.

Prevenção

De acordo com Soumya, o que falta definir agora é se o remédio deve ou não ser usado para prevenção. "Onde há ainda um hiato é se o produto tem algum papel para a prevenção", indicou. Para isso, a agência aguarda pelo resultado de importantes pesquisas que estão sendo realizados.

A cientista ainda deixou claro que países, como o Brasil, tem a liberdade de decidir seu protocolo de uso de remédios. Mas afirmou que a esperança é de que governos elaborem seus protocolos "com base em evidências".

Nos últimos dias, autoridades americanas retiraram a autorização para o uso do remédio, enquanto pesquisas em diferentes partes do mundo alertaram para a falta de resultados positivos.

Ainda assim, o governo brasileiro comemorou a doação de duas milhões de doses do remédio dos EUA ao país. O anúncio foi feito 15 dias antes da suspensão do uso por parte da agência americana.

Soumya qualificou a atual pandemia como sendo "um dos maiores desafios de saúde do século". "Ninguém que está vivo viveu algo assim", alertou. "Ainda estamos no meio dela", alertou.

Jamil Chade