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Jamil Chade


Movimento Negro denuncia Bolsonaro na ONU e defende inquérito

14.jun.2020 - "Vidas Negras Importam", diz faixa levada a protesto na avenida Paulista contra o racismo e o governo Bolsonaro - Marcello Zambrana/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
14.jun.2020 - "Vidas Negras Importam", diz faixa levada a protesto na avenida Paulista contra o racismo e o governo Bolsonaro Imagem: Marcello Zambrana/Agif - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

18/06/2020 08h47

Mais de cem entidades do movimento negro brasileiro usaram nesta quinta-feira a reunião de emergência na ONU para tratar de racismo e da morte de George Floyd para denunciar o governo de Jair Bolsonaro.

"No Brasil, o assassinato de crianças e jovens negros pelas forças policiais é uma realidade diária", disse o grupo, liderado pela Coalizão Negra por Direitos. "As favelas e bairros predominantemente negros são alvos constantes de violência policial. Em 2020, no Rio de Janeiro, mais de 300 pessoas, incluindo 5 crianças, foram mortas na presença de agentes de segurança", disseram as entidades.

O grupo ainda demonstrou apoio ao projeto dos governos africanos de se criar uma comissão inquérito para investigar a brutalidade da polícia nos EUA e em outras partes do mundo. O governo brasileiro já indicou que é contra.

"A Coligação Negra pelos Direitos apoia plenamente a instalação de uma comissão de inquérito internacional independente. Reiteramos que o ódio racial, o discurso do ódio e os crimes, o neofascismo, as ideologias nacionalistas violentas e as ideologias da superioridade racial que incitam à violência contra os africanos e os descendentes de africanos ameaçam a paz e a democracia em todo o mundo", alertaram.

"Denunciamos a escalada no Brasil da legislação que flexibiliza a posse de armas para a população civil. A Coalizão também repudia ações judiciais que estendem medidas de prisão da população negra por todo o país", denunciou.

O grupo também apontou para as "violações perpetradas contra as comunidades quilombolas". "Atualmente, centenas de comunidades negras rurais estão ameaçadas de expulsão de suas terras devido a projetos econômicos por todo o país, especialmente na Amazônia brasileira", completaram as entidades.

O governo brasileiro, numa resposta lida na ONU, rebateu o movimento negro. Segundo o Itamaraty, o governo está "fortalecendo a luta contra o crime, reduzir a insegurança, proteger a população e promover o desenvolvimento".

O Itamaraty também indicou que, em 2019, as taxas de homicídios e roubos que resultam em mortes caíram em 20%. No mesmo período, houve queda de outros índices de violência e crime.

Em sua resposta, o governo ainda reiterou o "compromisso com os direitos humanos, estado de direito e com o caráter democrático de nossa sociedade", além de garantir que afro-descendes são alvos de políticas públicas.

Jamil Chade