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OMS: reabrir escola em meio à forte transmissão pode ampliar crise

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Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

05/08/2020 08h40Atualizada em 05/08/2020 10h10

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a abertura de escolas em locais onde a pandemia está fora de controle pode agravar a transmissão. O alerta foi feito nesta quarta-feira, num momento em que as instituições internacionais se mobilizam para convencer países a lidar com milhões de jovens fora dos sistemas de ensino.

"Todos queremos a reabertura de escolas. Estamos pagando um preço alto pela falta de educação. Em muitos países, as escolas são os locais mais seguros para as crianças, com acesso à alimentação", disse o chefe de operações da OMS, Mike Ryan, nesta quarta-feira.

"Mas a realidade é que, a não ser que tenhamos um controle sobre o vírus e estivermos suprimindo a transmissão, reabrir as escolas num contexto de ampla transmissão vai provavelmente fazer o problema piorar, e não melhorar", alertou.

Para ele, uma reabertura exige que haja um número baixo de contágios, escolas preparadas e um plano, caso a contaminação volte a ganhar força naquele local.

Segundo ele, isso reforça a responsabilidade de comunidade de empurrar transmissão para baixo, justamente para poder reabrir as escolas. Ryan ainda faz uma crítica à decisão de autoridades de dar prioridade à reabertura de bares.

"Talvez tenhamos de escolher. (A abertura) dos dois pode criar uma consequência indesejada", disse. "Precisamos alunos e professores de volta para as escolas. Mas precisamos fazer isso de forma segura", defendeu.

Nesta semana, a ONU fez um apelo para que governos deem prioridade à abertura das escolas, sempre que haja controle da doença. Caso o ensino não seja retomado, o mundo pode experimentar uma "catástrofe geracional".

"Vivemos um momento decisivo para as crianças e jovens de todo o mundo. As decisões que os governos venham a tomar agora vão ter um efeito duradouro em centenas de milhões de jovens, assim como nas perspectivas de desenvolvimento dos países, durante décadas", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS, alertou que um país "não pode ter uma discussão sobre a escola sem que haja uma discussão sobre a comunidade". "Não há uma receita única para o mundo todo. Escolas não sai iguais pelo mundo", disse.

Juventude responsável

Para a OMS, parte da responsabilidade deve ser ainda da população jovem dos países. Em muitos locais, a agência alerta para um comportamento problemático de parte desse grupo que se recusa a ser testado ou a dar seus nomes e telefones em locais de aglomerações, inclusive na entrada de discotecas e bares.

"Precisamos pensar nas consequências. Claro que existem pressões sociais e precisamos reconhecer isso. Mas precisamos ser prudentes", disse Ryan. "E precisamos nos perguntar: precisamos mesmo ir a essa festa?".

Hoje, entre 10% e 20% dos infectados são responsáveis pela transmissão de 80% dos casos. "Temos um longo caminho ainda pela frente", alertou o chefe de operações.

"A história das pandemias mostra que elas levam um tempo para serem controladas", disse. "Ninguém pode prever quando ela vai terminar", completou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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